7 de abr de 2011

SONHOS CEIFADOS


Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que eu ouço ao longe seja linda ainda que a tristeza.
Que a mulher que eu amo seja para sempre amada mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida, mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece,
nem repetidas com fervor;
apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem
inundado de sentimentos;
porque metade de mim é o que eu ouço e a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
E que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada,
porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste,
que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável,
e que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
que eu me lembro ter dado quando era criança.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, e a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito,
e que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é platéia, mas a outra metade é canção.

E que minha loucura seja perdoada,
porque metade de mim é amor e a outra metade também.

(formandos de 2010 - EM Tasso da Silveira)