4 de jan. de 2010

ELE ERA O CARA


Aparício Fernando de Brinkerhoff Torelly nasceu plebeu e gaúcho em 1895 e morreu barão e carioca em 1971.

Estudou para médico, mas ganhou a vida como jornalista; e como jornalista sagrou-se barão:

Fizeram acordos. O Bergamini pulou em cima da prefeitura do Rio, outro companheiro que nem revolucionário era ficou com os Correios e Telégrafos, outros patriotas menores foram exercer o seu patriotismo a tantos por mês em cargos de mando e desmando… e eu fiquei chupando o dedo. Foi então que resolvi conceder a mim mesmo uma carta de nobreza. Se eu fosse esperar que alguém me reconhecesse o mérito, não arranjava nada. Então passei a Barão de Itararé, em homenagem à batalha que não houve

O episódio a que Aparício se refere é o acordo entre os getulistas que subiam o país do RS para o Rio, e as tropas fiéis a Washington Luís e à Aliança Liberal; que teria evitado a "batalha mais sangrenta da América do Sul" na cidade de Itararé (fronteira entre SP e PR) onde deveriam se encontrar.

Mas a parte mais genial do grande "Barão" são as frases de efeito. Pra não me estender muito - até porque quem quiser saber mais que use o Google -; seguem algumas périolas:

  • De onde menos se espera, daí é que não sai nada.
  • Mais vale um galo no terreiro do que dois na testa.
  • Dize-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.
  • Quando pobre come frango, um dos dois está doente.
  • Cleptomaníaco: ladrão rico. Gatuno: cleptomaníaco pobre.
  • Um bom jornalista é um sujeito que esvazia totalmente a cabeça para o dono do jornal encher nababescamente a barriga.
  • Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.
  • O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim , afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.
  • Urçamento é uma conta que se faz para saveire como debemos aplicaire o dinheiro que já gastamos.
  • O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro.
  • Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.
  • Adolescência é a idade em que o garoto se recusa a acreditar que um dia ficará chato como o pai.
  • Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você.
  • A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.
  • Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.
  • A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.
  • Precisa-se de uma boa datilógrafa. Se for boa mesmo, não precisa ser datilógrafa.
  • O casamento é uma tragédia em dois atos: um civil e um religioso.
  • Com as crianças é necessário ser psicólogo. Quando uma criança chora, é porque quer balas. Quando não chora, também.

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