30 de ago. de 2008

PORQUE HOJE É SABADO...

Vamos falar de amenidades (o que é um desafio, já que há 20 minutos as motosserras retomaram sua sanha assassina, agora tendo como alvo minha árvore)... mas enfim...

Imagine ter o poder de dar vida com um clique do mouse. Agora imagine evoluir essa vida do estágio celular a uma forma inteligente e com tecnologia suficiente para explorar o espaço e ampliar suas fronteiras. Isso é o Spore. E não é pra menos que aqui em casa a gente já fez até a pré-venda - o jogo só vai chegar às lojas dia 5 de setembro.

Controle total sobre a forma de suas criaturas, mas também sobre o perfil de sua sociedade: pacífica, artística, capitalista, autoritária, colonialista, etc... Mal posso esperar!

Enquanto 5 de setembro não chega, compartilho alguns vídeos demonstrando os diferentes estágios do jogo:

Começe como uma célula:


Acompanhe e influencie seu desenvolvimento para uma espécie bem-sucedida:


Forme sua primeira comunidade:


Desenvolva uma civilização:


E, finalmente, conquiste o espaço:



Resta saber como os criacionistas (particularmente os fundamentalistas yankees que forçam as escolas de muitos Estados a banir Darwin das salas de aulas) vão reagir. E pensar que Spore, além de divertido pode ser subversivo!

28 de ago. de 2008

TRISTE PORTO ALEGRE


Interessante os "planos" dos candidatos à prefeitura para o bairro aqui (também no ZH Petrópolis de hoje). Convido você a ler e refletir. Não importa se se referem a esse ou aquele bairro, o que importa é o foco.

O que salta aos olhos já na primeira leitura é que dos oito candidatos, seis praticamente restringem seus "planos" à questão da segurança, como se a solução dessa questão (que é muito mais uma questão nacional do que local) fosse a panacéia que nos livrará até de bueiros entupidos e hidrantes quebrados.

Claro, o bairro é de classe média, e a classe média vive com medo de perder um dízimo do que aquinhoou a duras penas ao longo de anos de sacrifício, privações e, porque não dizer, de humilhações no trabalho.

Algum conteúdo, se encontra nas palavras de Fogaça - que fala com a experiência de quem já está no cargo há quase quatro anos -, e Maria do Rosário, que acende uma luzinha de alerta para o que, no meu entender, está na origem de todos os problemas enfrentados pelos moradores não só deste, mas de muitos outros bairros de Porto Alegre: o furor das empreiteiras.

No rastro dessa sanha "modernista" vêem os problemas da insegurança, dos congestionamentos, da obsolescência dos sistemas de fornecimento de água e energia; bem como do saneamento. Não foi antes que se proliferassem os arranha-céus suntuosos da av. Bagé que o roubo de carros e os assaltos se tornaram recorrentes na região. As redes de água, luz e esgotos foram dimensionadas para uma densidade populacional relativamente baixa, e isso durou décadas. Em questão de oito anos, a demanda mais do que triplicou na região. O mesmo se aplica às vias do bairro, usualmente estreitas, sinuosas e precariamente pavimentadas, que funcionam como verdadeiros gargalos forçando a maioria dos motoristas a optarem pelas avenidas asfaltadas que delimitam os contornos do bairro, que para desafogar o fluxo de veículos foram dotadas com um mínimo de cruzamentos e opções de retorno.

Entendo que, do ponto de vista logístico, o crescimento vertical é mais lógico e eficiente - é mais barato empilhar pessoas do que desperdiçar amplas áreas com unidades ineficientes -, mas o resultado mais provável desse crescimento é o caos, se não for precedido de maçiços investimentos na infraestrutura. Isso, pra não mencionar que, como os ratos, nos tornamos extremamente agressivos quando submetidos à situações de superpopulação.

Tradicionalmente, os gestores públicos brasileiros não investem em infra-estrutura. Thompson Flores já afirmava que valia mais construir um viaduto do que mil quilômetros de encanamentos, porque as pessoas não viam os encanamentos. Para o imediatismo de políticos e cidadãos, isso tem sido verdade. Mas não pode continuar assim.

Esta cidade está virando um inferno. Um lugar onde as pessoas se evitam e se tratam como inimigos. Perdemos o sorriso à toa, a amabilidade com o estranho, a paciência de dar a vez a uma pessoa mais velha. Já perdemos o pôr do sol para os arranha-céus, e agora estamos perdendo a civilidade que nossos avós a sangue, suor e lágrimas tentaram construir na esperança de deixarem um mundo melhor a seus descendentes.

AINDA SOBRE OS PLÁTANOS


Muito esclarecedora a explicação da SMAM para não estar mais efetuando a poda da erva de passarinho nas árvores de Porto Alegre (publicada no Jornal Petrópolis, encartado na Zero Hora):

Na década de 90, do total da arborização de Porto Alegre - cerca de 1 milhão de árvores -, aproximadamente 70 mil foram atacadas por erva-de-passarinho, ou seja, esse número de vegetais deveria ser submetido a podas, durante o inverno, para a remoção da erva, tarefa que custaria não menos que R$ 21 milhões (valores atuais) e que certamente seria infrutífera, pois essas mesmas árvores seriam repovoadas ao longo dos anos. Logo, as práticas mais indicadas são a do convívio com a erva-de-passarinho (que tem, como seu próprio nome diz, importância como fornecedora de alimento para a avifauna) e a realização de podas de controle apenas quando há possibilidade de recuperação da árvore, com a gradual substituição das espécies suscetíveis (normalmente exóticas) por outras não atacadas, como já vem sendo feito há pelo menos 10 anos e ocorreu recentemente na região de Petrópolis.

Ah, então tá explicado, hein? Pois é... Mentecapto administrando o Estado como se fosse a iniciativa privada dá nisso! A próxima coisa que vão dizer é que não vale a pena manter postos de saúde, porque as pessoas são tratadas, mas as doenças acabam sempre voltando, e isso gera custo sem perspectiva de retorno - empresa só funciona na perspectiva do retorno, certo?

Olho com tristeza o velho plátano em frente à minha janela. Ele já estava aqui muito antes que os tataravós dessa corja liberal mal-intencionada que acaba de condená-lo à morte.

O que fazer? O que fazer?

Meu grito não encontra eco, pois as pessoas estão preocupadas com a segurança, com os roubos de carros, em se cercar de grades, alarmes e sistemas de monitoramento à distância. E se não estão, é porque já se mudaram pra um imponente arranha-céu, devidamente cercado de grades e guaritas. "Danem-se as árvores, queremos é segurança para nossos carrões e tevês de plasma!!", urra a voz insana do consumo.

E nisso nossas vidas vão ficando sérias, cinzas, tristes e vazias. Ah, mas temos dinheiro. Yes, nós temos bananas.

Pensando bem, meu plátano aqui já viu dias melhores e talvez seja mesmo hora de partir se, ao que parece, sua única função neste mundo é fornecer sombra aos carros flex (sempre pretos, cinzas, brancos ou vermelhos).

27 de ago. de 2008

CENAS DO COTIDIANO

Ana Carla (18) e Paulo (21) discutiam. Ele queria a separação. Furiosa, ela jogou álcool sobre as duas filhas e riscou o fósforo.

Emily morreu queimada aos 3 meses de idade. Evelin, de 1 ano de 4 meses, está internada em estado grave. Foi a que o pai conseguiu salvar.

Pergunto agora aos fundamentalistas de todas as cores e bandeiras: se Deus é tão onipotente como propagandeiam, se ele de fato determina nossos destinos e guia a humanidade; não terá sido também sob sua influência que o homem desenvolveu os anticoncepcionais?

Não me passa pela cabeça a idéia de que Deus num lapso do mais profundo e absoluto sadismo, traçasse para as inocentes irmãs um destino tão trágico e doloroso. Certamente que não: em sua bondade infinita, Deuis preferiria que inocentes como elas permanecessem como anjos em sua companhia, sem sequer serem tocadas pelas agruras deste mundo bestial.

"Crescei e multiplicai-vos", disse Deus a certa altura. Bem, éramos pouco mais que alguns milhões. Depois que ultrapassamos a casa dos bilhões, parece lógico que o próprio Deus concluísse que tendo garantida a perpetuação da espécie, era chegada a hora de garantir que esse crescimento não se tornasse uma meta suicida. E assim Ele o fez, iluminando alguns seres humanos para que desenvolvessem métodos de prevenir tal catástrofe.

Mas aí vieram ascetas de todas as partes, gente tacanha, obtusa e autoritária dizer que não, que o controle da natalidade é um pecado contra a própria Vontade Divina.

PFFFF!!!

Cada imbecil deste planeta que se acha no direito de julgar, de controlar e manipular a existência alheia é co-autor dessa e de outras tantas barbaridades que ocorrem todo o dia. Tudo que eu peço é um lugar pra assistir de carteirinha o que Deus terá a dizer a essa laia. Aí sim, vou lavar a alma.

QUEM AMOU ROSE?



Nos cinco anos que viveu, Rose aprendeu muitas coisas. Antes mesmo de aprender o bê-a-bá, aprendeu que o amor é relativo, que pais podem ser carrascos, que a vida, sim, pode ser injusta, miserável, infeliz.

Tudo começou na França, quando Rose ainda era um bebê, e sua mãe começou um caso com o sogro. Ao descobrir, o pai pediu o divórcio e levou a filha consigo para Paris. A mãe e o avô se mudaram para Israel onde tiveram dois filhos.

Em abril de 2007, Rose foi hospitalizada depois de ser duramente espancada pelo pai e pela madrasta Jennifer. Em dezembro daquele ano, as autoridades francesas permitiram que fosse enviada para Israel a pedido da mãe e do avô/padrasto.

Mas os maus tratos não pararam aí. Segundo os vizinhos, Rose era uma menina triste e vítima de constantes maus tratos. Tão ruim era a situação que em março deste ano, ela foi enviada para a bisavó. Talvez ali, Rose tenha sorrido pela primeira vez - foto acima foi tirada nesse período. Não é um sorriso de quem está acostumado à sorte, não posso deixar de acrescentar.

Mas não foi o fim. Dia 12 de maio, Rose desapareceu.

Três meses depois, sua bisavó foi à polícia.

Em poucos dias, o avô/padrasto confessou à polícia. Em suas palavras, sua mulher (mãe de Rose) havia pedido a ele que "desse um fim na menina". Ele segue: "Rose se comportou mal quando estava no banco traseiro do carro e eu dei-lhe um tabefe. Veio um silêncio no carro e quando olhei para trás ela estava morta. Então a coloquei em uma mala vermelha e joguei no rio Yarkon".

Paternidade (e, por extensão, maternidade) é assunto sério. Todo mundo quer casa, carro na garagem e filhos bem comportados pra impressionar os vizinhos e ganhar status de pessoa "séria". Poucos têm maturidade pra entender que filhos são pessoas, são indivíduos e não nossas cópias em miniatura. Fico com a sabedoria do libanês Khalil Gibran:

Seus filhos não são seus filhos.
São os filhos e filhas da Vida desejando a si mesma.
Eles vêm através de vocês mas não de vocês.
E embora estejam com vocês, não lhes pertencem.
Vocês podem lhes dar amor, mas não seus pensamentos,
Pois eles têm seus próprios pensamentos.
Vocês podem abrigar seus corpos mas não suas almas,
Pois suas almas vivem na casa do amanhã, que vocês não podem visitar, nem mesmo em seus sonhos.
Vocês podem lutar para ser como eles, mas não procurem torná-los iguais a vocês.
Pois a vida não volta para trás, nem espera pelo passado.
Vocês são o arco de onde seus filhos são lançados como flechas vivas.
O arqueiro vê o alvo no caminho do infinito, e Ele curva vocês com Seu poder, para que suas flechas possam ir longe e rápido.
Deixem que o seu curvar-se na mão do arqueiro seja pela alegria:
Pois mesmo enquanto ama a flecha que voa, Ele também ama o arco que é firme.


Que mundo teríamos, se as pessoas ao menos entendessem essa simples verdade!

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA


Não bastassem os ciclones, anti-ciclones e contra-ciclones que recentemente botaram abaixo três imponentes árvores aqui da praça, agora vem a prefeitura fazer a "poda anual".

Há três semanas, a exatas oito da manhã as motosserras são ligadas e VRAAAAAAAAAAM VRAAAAAAAAAM... lá se vai o sossego e a capacidade de concentração.

Se fosse só o sossego, a gente até que não se importava muito. Afinal, como já dizia a minha vó: "o bom jardineiro não tem medo da tesoura". Mas acho engraçada essa tal de poda. Ou a SMAM emburreceu nos últimos quatro anos, ou não sei o que está acontecendo.

Antes de mais nada, sequer cogitou desbastar as ervas de passarinho - que este ano, de tão crescidas, impediram a hibernação dos plátanos. Pra quem não sabe, plátanos são árvores que hibernam no inverno, perdendo todas as folhas e adquirindo um tom esbranquiçado no tronco e galhos principais. Os plátanos precisam desse ciclo pra guardar energia para a primavera. Não precisa ser um botânico pra ver que os plátanos estão estressados e sua aparência é no mínimo doentia.

Mas isso não parece ser problema pra SMAM, como não parece ser problema as três jovens árvores assassinadas no processo, porque pra podar um galho grande, ao invés de ir aos poucos, com um mínimo cuidado, os caras meteram a motosserra bem na base e manda ferro. O galho (medindo entre oito e dez metros) caiu num estrondo infernal, atingindo as pobres vítimas indefesas. Uma foi quebrada no tronco junto ao chão, outra teve a metade do tronco e toda a copa mutilados e a terceira perdeu toda a copa. Uma quarta ficou inclinada irremediavelmente.

Sábado passado, vi que a motosserra avaliava a vítima em frente à minha casa. Abri a janela, olhei feio pro pessoal e perguntei se iam tirar a erva de passarinho. Eles se contentaram em podar um galho que se projetava sobre a rua - imagine só, se caísse podia atingir um Corolla, e isso a prefeitura da mudança não quer! - e foi tudo. Meu pobre plátano foi poupado, enquanto as atenções se focaram no próximo que, aparentemente para compensar, foi destituído de todos os galhos. Bem, devo admitir que a erva de passarinho também se foi.

O cenário é de desolação. E sujeira. Há três semanas eles cortam e arrastam os galhos pra calçada (que a própria SMAM havia "ajardinado" poucos meses atrás, preenchendo os canteiros com brita e mudas de lírio), onde ficam depositados à espera da "limpeza", que consiste em mais motosserras, mais barulho e mais pó de serragem invadindo nossos pulmões - pra não falar do fedor do combustível.

Vai ser um verão quente. Tórrido, sem a sombra dos plátanos. Na verdade, os próximos três ou quatro verões vão ser tórridos, até que os plátanos se recuperem do atentado - isso se todos sobreviverem. Só resta rezar que as ervas de passarinho nos providenciem alguma sombra.

Como dizia meu avô: "se Deus pôs limites a inteligência humana, por que não limitou a burrice também?"

26 de ago. de 2008

A VIDA SEGUNDO SPORE

Excelente entrevista com Will Wright (criador do jogo) e Brian Eno (criador da música do jogo).

Seguindo o princípio de Simcity e The Sims, Spore é um jogo no qual a partir de uma bastéria você cria uma espécie, dessa espécie uma cultura, dessa cultura uma sociedade, uma civilização sem limites quanto às possibilidades de expansão. Suas ações e decisões no jogo determinam se essa sociedade será pacífica, guerreira, artística, autoritária, solidária, etc... Na entrevista abaixo, Will Wright e Brian Eno discorrem sobre o jogo, sobre a vida, sobre o tempo e a experiência da criação.











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