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23 de jul. de 2017

CHEGA


Vou começar dizendo uma coisa. Você não vai gostar de ouvir, mas é a verdade: o que você permitir, vai continuar. E digo mais: vai seguir piorando.

Um narcisista que tive o (des)prazer de conhecer gostava muito de citar (e aplicar, é claro) a "politica do beliscão" para determinar o quanto podia tirar dos outros até precisar dar alguma coisa em troca.

A "política do beliscão" funciona assim: você belisca e vai apertando até a pessoa gritar. Aí você solta, mas só um pouquinho. Se a pessoa não meter a mão na sua cara e o mandar às favas, você aperta de novo desta vez com mais força que antes. E segue repetindo e apertando cada vez mais forte até não ter mais nada que espremer do infeliz.

Psicopatas, sociopatas e narcisistas - e governos, empresas ou instituições também se comportam como tais - tratam os outros exatamente desta maneira.

O que está acontecendo neste país é exatamente isso.

Nossos "representantes" não dão a mínima para nada nem ninguém além dos seus próprios interesses. Não se importam nem com a crescente legião de mendigos morrendo de fome e frio pelas ruas deste país. Pior: fazem piadinhas cruéis, comparando-os a zumbis.

E se você acha que eles se importam com a classe média, pode ir tirando o cavalinho da chuva, porque se eles têm nojo de pobre, por nós o que sentem é desprezo e querem nos esmagar como a uma barata.

É que a gente da classe média tem essa mania de não mendigar, de não implorar pelos favores dessa gente. Não. A gente tem amor-próprio, tem orgulho de ser quem é e estar onde chegou; a gente se orgulha porque ralou para chegar aonde está, e a gente quer que os outros cheguem também. A gente quer que os pobres comam todos os dias como nós, que tenham suas casas, que seus filhos vão à escola, que sonhem e façam seus sonhos realidade. A gente é gente e gosta de gente, gosta de bicho, gosta de natureza. A gente sabe que pra ser feliz é preciso que os outros também estejam felizes, saudáveis, alimentados e agasalhados; então a gente cuida e é cuidado, porque sabe que gente precisa de gente.

Sim, somos muito diferentes uns dos outros, porque a nossa classe começa no primeiro título de propriedade (seja um barraco, um JK ou uma cobertura) e vai até a casa de praia ou sítio, o terceiro ou quarto carro na garagem mais o turismo pelo mundo a fora.

A gente começa na humilde costureira que passa os dias debruçada na sua máquina e vai até a dona de butique que amanhece em Porto Alegre, almoça em São Paulo e janta no Ceará comprando para a sua loja. A gente começa no balconista da livraria e vai até o professor de Literatura com pós-doutorado que vive palestrando no exterior.

Somos muitos, somos diferentes e somos a maioria. Somos nós que movimentamos essa engenhoca toda e tudo que precisamos é dizer CHEGA, para que esse mundinho dos psicopatas deixe de existir.

Somos quem mais investe tempo, criatividade e recursos em proteger o ambiente, melhorar a educação, promover a cultura, a saúde, o livre comércio, as novas tecnologias... e também somos nós que nos organizamos para minimizar os impactos horrorosos das ações dos nossos próprios governos sobre os menos privilegiados.

São os nossos impostos, não os dos milionários e muito menos os das mega-empresas que sustentam o governo - até porque essas mega-empresas além de receberem bilhões dos impostos que nós pagamos em "incentivos" e "financiamentos", ainda se dão ao desplante de sonegar.

As grandes empresas deste país devem mais de um trilhão de Reais em impostos, e a gente se apavora só de cair na malha-fina do imposto de renda...!

Somos nós que quando precisamos alguma coisa, batalhamos e vamos atrás porque nada vem de mão beijada. A gente sabe, a gente aprendeu desde criança o valor do trabalho, do empenho, da honestidade, da dedicação e, acima de tudo, da cooperação.

Mas os psicopatas querem que esqueçamos da cooperação. Eles querem nos ver brigando por ideologia, gênero, religião, raça, futebol, celebridade, marca, carro e todo o tipo de cenoura que penduram à frente dos nossos narizes para nos distrair. E divididos assim, deixamos de ver que o inimigo é um só e de todos nós.

Porque ideologia, gênero, religião, raça, futebol, celebridade, marca, carro... quanto mais e mais diferentes, melhor: o motor da evolução é a diversidade! Diversidade é abundância, é riqueza, é beleza: a abelha não perde um segundo de vida querendo forçar o beija-flor a fazer mel. Ainda assim, os dois visitam as mesmas flores e se alternam para extrair o néctar ao invés de competir.

Por que então nos deixamos influenciar por todas essas "polêmicas"? Já parou para pensar que elas são criadas e insufladas na mídia e pela mídia justamente para acirrar os ânimos, para nos dividir? Quem tem a ganhar com a gente se xingando de coxinha, de mortadela, de bolsomito?

Eles. Nossa divisão só serve a eles, porque nós precisamos uns dos outros, mas eles só precisam que sigamos distraídos culpando uns aos outros.

Então, CHEGA de bateção de boca também: a gente está aqui para viver, amar, criar e ser feliz, não pra morrer à míngua coberto de carrapato.

9 de out. de 2009

MOLECAGEM


...E o Nobel da Paz vai para...

TCHAM TCHAM TCHAM TCHAM...

... BARAK OBAMA!!!


ÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!!! - exclama a multidão.


CUMÉQUIÉ?! - engasgo no primeiro café do dia.

Mas é verdade:

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, venceu o prêmio Nobel da Paz por seus esforços para reduzir os estoques de armas nucleares e por seu trabalho pela paz mundial. Primeiro presidente americano de origem africana, Obama também trabalhou para reiniciar o estagnado processo de paz no Oriente Médio desde que assumiu o cargo, em janeiro deste ano.

Então tá. Isso aí. Nobel da Paz pro cara do botão vermelho, esse que vive sentado num arsenal capaz de pulverizar o planeta em segundos; o cara que comanda o maior exército do planeta, presidente de um país que não sabe o que é a paz há quase 50 anos e que, finalmente, quer porque quer aumentar o contingente yankee no Afeganistão e que, não fosse a bomba atômica, de quebra mandava ver no Paquistão também.

Porque não escancararam de vez e deram o Nobel pro Bibi? (aquele mesmo, o Benjamim-toca-fogo-nos-palestinos).

Ah, mas o Barak é negrinho... Sinceramente, meu pézinho da senzala (aquele que todos nós brasileiros temos) tá fervendo.

Depois vêm reclamar que a criançada não tem respeito por mais nada... E cadê o exemplo?

8 de set. de 2009

NÃO ENTENDI

Essa da prefeitura passar pra Fundação Universitária de Cardiologia a Estratégia de Saúde da Família e dos Postos de Saúde da Família em Porto Alegre me faz coçar atrás da orelha.

Se Eliseu Santos e a Fundação descobriram alguma correlação entre problemas cardíacos e planejamento familiar, deviam compartilhar a descoberta com seus colegas de jaleco, afinal de repente ia até render um Nobelzinho... já pensou? Aí sim ninguém ia segurar os portalegrenses*.



*assim, sem o "o", de porta mesmo

28 de jun. de 2009

COMO MATAR UMA UNIVERSIDADE

Parece que quanto mais se fala que a saída pro país é a educação, menos se faz na prática. O maior exemplo é o caso da UERGS, concebida pra descentralizar o ensino universitário no RS, instalando unidades em centros menores, e com isso evitando a evasão de capital humano das regiões onde ele é mais necessário.

Ou você acha que não?

Acha que alguma universidade privada ia sequer considerar uma unidade em Sananduva?

Pois a UERGS tem uma unidade de ensino lá, como em outros 23 municípios. Segue a lista: Alegrete, Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Cruz Alta, Erechim, Guaíba, Montenegro, Porto Alegre, Santa Cruz do Sul, São Borja, São Luiz Gonzaga, Três Passos, Bagé, Cachoeira do Sul, Cidreira, Encantado, Frederico Westphalen, Ibirubá, Novo Hamburgo, Santana do Livramento, São Francisco de Paula, Tapes e Vacaria.

Herança do governo Olívio e uma conquista dos municípios cansados da evasão de jovens para o "alegre" porto dos gaúchos, a UERGS está morrendo à míngua graças ao empenho sistemático do governo atual em seu desmantelamento.

Se não concorda, dê uma olhadinha no gráfico abaixo. Ele mostra a dotação orçamentária da UERGS ao longo de sua existência.


Só no governo da tia o orçamento despencou 18 milhões. O Olívio criou a UERGS e ao deixar o governo a deixou com um orçamento de 18,9 milhões. Durante o governo Rigotto, a UERGS chegou aos 30 milhões, em 2006.

Isso é o "jeito tucano de governar", é mais uma das "mudanças" da tia lá do Piratini: sucatear o Estado pra fortalecer a iniciativa privada, palavrório bonito que se traduz em entregar os aparelhos do estado de mão beijada pra cupinchada, coisa que dá no que está dando a tal da crise, mas tudo bem, não? Dando pra comprar um I-phone e trocar de carro a cada dois anos tá tudo bem, não é? Pobreza é falta de criatividade.

A gente já viu isso no governo Brito - mas parece que a gauchada não aprendeu nada.

Aí o Conselho de Educação vai fazer vistoria na UERGS. E se depara com um quadro tenebroso, nas palavras da Zero Hora: "unidades instaladas em espaços inadequados, bibliotecas peladas, professores escassos".

É claro que não podem liberar novas turmas. Dos 72 pedidos feitos pela UERGS entre 2005 e 2008, só 42 foram aprovados. E ainda assim, segundo o Conselho, só pra não prejudicar os alunos que já estavam matriculados.

Voltando ao exemplo de Sananduva, os laboratórios de química e biologia até hoje não foram desencaixotados. Isso mesmo. Segundo a Zero Hora, balanças de precisão, microscópios e outros equipamentos essenciais ao ensino continuam encaixotados porque a grana pra montar os laboratórios simplesmente não foi liberada pelo Governo do Estado.

Não bastassem as míseras condições de trabalho, os salários dos professores são aviltados e as contratações necessárias simplesmente não acontecem porque o Governo Yeda não quer.



Isso tudo se reflete no número de matrículas e de formandos, como se vê nos gráficos a seguir:





Há esperança?

A prefeitura de Alegrete, por exemplo, investiu 100 mil Reais em melhorias da unidade da UERGS instalada no município. Desanimado, o município vê aproximar-se a formatura dos últimos alunos e poucas são as esperanças que nova turma vá se formar.

Com a palavra, o prefeito de Alegrete, Erasmo Guterres Silva, do PMDB:

O governo do Estado quer fechar. Não tenho dúvidas. Tentamos negociar com a universidade, mas só recebemos negativas. É muito deprimente.

Em São Borja, pra manter a UERGS funcionando, a prefeitura cedeu uma área de 1.120 metros quadrados em prédio próprio e assumiu as despesas com internet, luz, água e segurança.

Dos 300 alunos que por lá circulavam, divididos em três cursos, hoje restam apenas 15 de uma mesma turma, assistidos por dois professores e três funcionários.

Mas a prefeitura de Sao Borja não desiste - ah, como seria bom se a gauchada aqui de POA não tivesse perdido esse espírito Farrapo! - e está decidida a promover um novo vestibular. Para isso obteve por escrito o compromisso dos professores de outros polos para lecionar na cidade, oferecendo a eles alojamento e alimentação.

Isso mostra que não há só o interesse, há a necessidade da existência de uma instituição de ensino superior que atenda a regiões onde o ensino pára no segundo grau, ou todo o investimento das redes municipais de ensino vai continuar indo pro ralo dos faraônicos escritórios envidraçados que poluem o horizonte de uma Porto Alegre inflacionada de recém-formados em busca de alguma oportunidade.

Essa massa que as universidades da Grande Porto Alegre despejam nas ruas a cada semestre não está multiplicando geograficamente o conhecimento, não está contribuindo para o desenvolvimento harônico do Estado como um todo, não. Ela se concentra aqui, e se perde em administradores pilotando táxis, engenheiros nas roletas dos ônibus e advogados supervisionando caixas de supermercados.

Por tudo isso obrigado, Yeda. Você é mesmo a mudança que o Rio Grande tanto precisava.

6 de jun. de 2009

O VÔO 447


A Air France soube do trágico destino dos ocupantes do vôo 447 às 23:10, quando uma mensagem automática acusou a falha no controle de limitação do curso do leme.

Quando menos de 24 horas depois do vôo ser oficialmente dado como desaparecido Sarkozy apareceu na tv com aquele pronunciamento funestro nós, os sempre otimistas, junto com nosso presidente, nos aferramos à esperança - afinal, Deus é brasileiro, né?

Eles sabiam. Como sabiam que ainda antes de deixar a área de controle do Rio, a aeronave já enviara 24 sinais de anomalias em seus sistemas de bordo.

Foram 24 avisos, gente.

Imagine que você está em seu carro. Tudo bem, ele recém passou por uma revisão e você pega a estrada e, vamos dizer, está seguindo para a Transpantaneira. Você sabe que passadas as últimas pousadas o que o espera são centenas de quilômetros inóspitos sem nenhum bar de beira de estrada ou oficina onde possa buscar socorro. Pra piorar, viu pela tevê que a meteorologia prevê uma forte tempestade bem no meio do caminho. Você vai seguindo, atento ao céu e à paisagem, e já está passando o limite da última grande pousada que avistara à beira da estrada. Aí 24 coisas estranhas acontecem no seu painel de controle incluindo a direção e o odômetro.

O que você faz?

Leio hoje na Folha que às 23:10 de domingo uma mensagem informa que o leme quebrou. A aeronave voava a 840Km/h numa altura de 10,7 quilômetros. Este foi um dos 24 avisos e, estranhamente, só agora parece que as autoridades da França se debruçam sobre esse "pequeno" detalhe. Ao que parece, estavam mais interessadas nas incongruências entre leituras de velocidade e altitude, estranhamente mais relevantes que a quebra do leme.

O que isso me diz? Que a Air France sabia que o vôo 447 jamais entraria no espaço aéreo do Senegal.

Poderia ter intervido?

Poderia ter ordenado ao piloto que se dirigisse ao aeroporto mais próximo ao primeiro sinal de anomalia, mas não o fez. Como não o fez ao segundo, ao terceiro, e por aí vai...

Poderia ao menos ter alertado o controle de terra brasileiro que tinha uma aeronave sua no ar com problemas, mas não o fez - e nisso colocou em risco todo o tráfego aéreo na região.

No que a Air France foi rápida e eficiente foi no tratamento às famílias das vítimas, só divulgando a lista de passageiros mais de 72 horas depois de o vôo ser dado como desaparecido e assim garantindo ser a primeira a contactá-las, tratando de coletar o maior número possível de familiares e colocá-los em isolamento, num ambiente controlado - por ela, Air France -, para "protegê-los" do assédio da mídia, é claro.

Não é do interesse da Air France que as famílias retornem ao convívio social, compartilhando sua experiência com pessoas que não estão vivenciando diretamente o trauma. É interesse da Air France reuni-las num rebanho de fragilizados "acompanhados" por seus especialistas, empenhados em aplicar lentes cor-de-rosa sobre qualquer visão crítica que qualquer familiar porventura venha a ter em relação às reais intenções e ações da Air France.

Ou você não reparou que ainda antes que equipes francesas se juntassem aos esforços de busca e resgate, uma equipe de "especialistas" franceses já desembarcara no Rio para "apoiar" as famílias?

Isso é uma técnica, é sistemático e tem nome: fall out control.

Mais: ontem a Air France pediu a intervenção da OAB/RJ contra advogados que estariam supostamente assediando os familiares.

Não é interesse da Air France que essas pessoas contactem advogados próprios, que discutam o ocorrido com a sociedade, que exponham e busquem respostas alternativas às suas dúvidas e questionamentos.

Não é interesse da Air France que 228 advogados diferentes entrem com 228 processos diferentes nas mais diversas cortes e instâncias, pior, que esse pequeno exército vasculhe seus registros e arquivos munido de ordens judiciais que forcem à abertura de suas caixas pretas, expondo falhas cruciais em seus procedimentos de segurança já em terra.

Não é do interesse da Air France que os destroços do vôo 477 jamais sejam encontrados, particularmente as duas caixas-pretas - ou por que outro motivo será que desde o primeiro momento os franceses têm insistido na dificuldade dessa localização? É um conceito manjado da teoria da comunicação que a redundância reforça e aprofunda qualquer conceito, por mais absurdo que pareça à avaliação crítica mais superficial.

Aliás, onde é que estão as equipes francesas e norteamericanas enviadas para ajudar nas buscas? Onde está o tal submarino todo bam-bam-bam que pode identificar até o sexo duma medusa a mais de mil metros de profundidade? Onde está todo o aparato tecnológico de primeiro-mundo de que eles dispõem? Nas notícias, só se vê soldado brasileiro voando e voando, barco brasileiro navegando e as buscas seguem a olho, e, pior, provavelmente no lugar errado, porque a Air France teria hipoteticamente condições de fornecer coordenadas mais exatas com base em suas próprias leituras, mas aparentemente, não o fez. Ou será que não?

Não sou adepta da teoria da conspiração, mas a coisa aí tá fedendo.

Tudo que eu sei é que é do interesse da Air France que as buscas prossigam pelo maior período de tempo possível, com o maior número possível de contradições e informações equivocadas; e que nesse meio-tempo, as famílias continuem envolvidas no processo, que continuem sitiadas em hotéis sob sua vigilância e isoladas da sociedade por tanto tempo que, quando finalmente retornarem à sociedade, se mostrarão gratas aos cuidados e atenção dispensados pela Air France, e mais propensas a fecharem acordos pífios em troca de um pouco de normalidade.

Todos os esforços que foram poupados em evitar esta tragédia estão sendo agora dispendidos em controlar seus efeitos financeiros. Porque, não tenha dúvidas: tudo se resume a dinheiro.

Às centenas de pessoas vítimas dessa tragédia, meus sinceros votos de paz e luz na eternidade.

Às famílias, meus pêsames e votos de paz e luz para prosseguirem com suas vidas concentrados nas lembranças felizes dos entes que faleceram.

À Air France meus pêsames pela hipocrisia e a firme decisão da jamais embarcar em um vôo seu - que, por sinal, custa 3 vezes mais que na maioria das demais companhias.

E tenho o dito.

23 de abr. de 2009

ALGO PRA PENSAR ANTES DE ENTREGAR A ALMA AO DIABO


Percy Schmeiser foi prefeito da cidadezinha canadense de Bruno Sask de 1966 a 1983, e membro da Assembléia Legislativa de 1967 a 71.

Como vários outros agricultores em sua região, Schmeiser plantava canola há mais de 40 anos e estocava suas próprias sementes, desenvolvia suas próprias variedades e se sustentava plantando principalmente canola. Como vários outros agricultores de sua região, usava um certo herbicida (Roundup) desenvolvido e comercializado pela Monsanto.

E tudo ia bem, até a Monsanto desenvolver uma semente de canola completamente imune ao Roundup; a Roundup Ready. Claro, isso foi para o bem do agricultor, pois assim ele nunca mais arriscaria perder uma muda sequer pela fumigação.

Aqui faz-se necessário abrir aspas e explicar que para o bem da Monsanto, ela comercializa as sementes de uma canola geneticamente modificada para resistir ao seu próprio herbicida; mas retém os direitos sobre o DNA. Isso força os agricultores todo ano comprar novas sementes para o plantio, ao invés de simplesmente estocar da safra anterior. Agricultores que compram sementes geneticamente modificadas da Monsanto assinam um documento pelo qual além de se comprometerem a comprar sementes todo o ano, permitem que a Monsanto inspecione seus campos. Fecha aspas.

Sem nunca ter comprado uma única semente de Roundup Ready, em 1999 Schmeiser aos 68 anos de idade se viu no banco dos réus, acusado de plantio ilegal e, pior, de estocar sementes não licenciadas para o plantio. A Monsanto demandava o pagamento de exorbitantes 400 mil dólares por conta da infração de patente, taxas de tecnologia, um percentual sobre a safra (15 dólares por acre) e mais alguns milhares de dólares por danos morais.

Como?

320 hectares de sua plantação haviam sido polinizados pela canola Roundup Ready da Monsanto.

Controlar a contaminação por sementes é um negócio bem complicado, particularmente em época de colheita, porque elas são carregadas pelo vento e se alojam nas ranhuras dos pneus de veículos e tratores. Um exemplo conhecido é o capim annoni, uma espécie alienígena que chegou acidentalmente aos pampas na década de 50. Como ficava verde o ano inteiro, alguns pecuaristas apressados chegaram mesmo a importar e plantar sementes. Só depois foram descobrir que o capim annoni é indigesto para o gado por ser fibroso demais. Pior, por não ser nativo, o capim annoni não tem inimigos naturais e a despeito de todas as tentativas de erradicação, a área tomada pela praga vem se expandindo (já atinge mais de 20% das pastagens no Rio Grande do Sul), representando um prejuízo acumulado de dezenas de milhões de Reais.

Mas, voltando a Schmeister, ao contrário de inúmeros agricultores norte-americanos (alguns chegaram a pagar milhões), o canadense se recusou a entrar em acordo com a gigante multinacional.

E contra-atacou não só argumentando que o plantio de 1997 havia se dado com sementes próprias estocadas da safra de 96 como acusando a Monsanto de negligência por introduzir a canola modificada na região sem o devido controle e com isso causar contaminação nas lavouras dele.

E ainda foi além: exigiu na justiça uma indenização de 10 milhões de dólares, acusando a companhia de difamação, invasão e contaminação de sua lavoura com a Roundup Ready.

O caso foi parar na Suprema Corte, com a Monsanto insistindo em contra-argumentar que a contaminação era um fator irrelevante no caso, que o fato estava consumado e ele havia colhido a canola e lucrado com isso sem pagar à Monsanto os royalties a que tinha direito.

No melhor estilo salomônico, em 2001 a Suprema Corte canadense deu à Monsanto ganho de causa no que tange à patente enquanto ao mesmo tempo acatava a tese da contaminação.

Ao decidir contrariamente à regra pela qual sementes que chegam acidentalmente à propriedade de um agricultor passam a ser de sua propriedade, estabelecendo que tal não se aplica às sementes patenteadas; a Suprema Corte abriu um precedente que possibilitava ações de indenização por parte de agricultores prejudicados pela contaminação acidental por sementes transgênicas.

Em 2005, a Roundup Ready voltou a aparecer nos campos de Schmeister.

Em 2006 a esposa de Schmeister processou a Monsanto pela contaminação de Roundup Ready em sua horta orgânica.

Naquele mesmo ano, Schmeister viu os pés de canola Roundup Ready se multiplicarem em sua plantação de mostarda. Para "limpar" suas terras da praga, a Monsanto exigiu que assinasse um documento no qual comprometia a si e seus herdeiros a jamais processar a Monsanto em quaisquer bases.

Em 2007 o Escritório de Patentes dos Estados Unidos revogou quatro patentes retidas pela Monsanto, incluindo parte dos direitos sobre a Roundup Ready - sementes geneticamente modificadas podem envolver até 80 patentes diferentes.

Em 2008 a Monsanto concordou em custear a descontaminação da Roundup Ready na lavoura de Schmeister sem exigir em contrapartida que nem Schmeister nem seus herdeiros voltem a processar a companhia.

E há quem defenda com unhas e dentes a introdução dessas pragas por aqui.

20 de abr. de 2009

PAGANDO A CONTA DA CRISE


Enquanto a crise segue na degola pelo mundo a fora, liquidez continua sendo um problema e ainda há quem pressione os governos pra liberar mais dinheiro (nosso, não vamos esquecer) pra "socorrer" o mercado financeiro, o Bank of America apresenta seu balancete do primeiro trimestre de 2009: US$ 4.2 bilhões de lucro líquido (e certo).

Outros bancos:

J.P. Morgan - US$ 2.14 bilhões
Goldman Sachs - US$ 1.6 bilhões
Citigroup - US$ 1,59 bilhões

O mínimo que os cidadãos aí podiam fazer é socializar os lucros na mesma proporção que suas perdas foram socializadas.

Mas isso seria subversão, não é mesmo?

17 de abr. de 2009

TÁ CHOVENDO


R$ 118.651,20 é o quanto a viúva do senador Jefferson Péres (PDT-AM) recebeu de presente do povo brasileiro, por conta das passagens aéreas a que seu falecido marido teria direito entre janeiro e abril de 2008. O pagamento foi autorizado pelo então presidente do senado Garibaldi Alves (PMDB-RN).

Em entrevista à Folha de São Paulo, a viúva (uma juíza estadual aposentada) argumentou que o Senado "tem tanto desperdício de dinheiro público", que o pagamento a ela não pode ser considerado ilegal, pois a cota de passagem era do seu marido e, portanto, lhe pertencia.

Ah, é, cara-pálida?!

E nós aqui, pagando imposto... Cara de palhaço, pinta de palhaço...

16 de dez. de 2008

A CARA E A CORAGEM


Ele se chama Montasser al Zaidi, tem 29 anos e há três é reporter de uma rede de televisão privada Al-Baghdadiya. Já foi preso duas vezes pelas tropas de ocupação e uma pelos Xiitas e, segundo consta, tem ligações profundas com o regime de Saddam Hussein. É noivo, mas afirma que só contrairá as núpcias no dia em que os americanos deixarem o Iraque.

Ao assistir ao vivo e a cores o cínico quase-ex-presidente americano afirmar sorridente que meia década de invasão do Iraque fora necessária à segurança dos EUA, a estabilidade do Iraque e à paz mundial, ele explodiu: arrancou do pé o primeiro sapato e mirou em cheio na testa de jorginho-filho, gritando: "Este é beijo de despedida, pedaço de cão!"

Aqui faz-se importante ressaltar que na complexa escala de insultos da não menos complexa cultura muçulmana, cães e sapatos disputam palmo a palmo a supremacia.

Para seu desapontamento (e porque não dizer do planeta), Jorgihno-filho é tão bom na esquiva como na engambelação.

Sem titubear, al Zaidi arrancou o segundo sapato e mandou ver, desta vez pelas viúvas, pelos órfãos e por todos que morreram no Iraque.

Há pouco, a rede de tevê iraquiana Al-Sharqiya informou que se encontra preso em Camp Cropper, uma prisão mantida pelas forças americanas no aeroporto de Bagdá. Ele teria costelas fraturadas, sinais de tortura e estaria incapacitado de mover o braço direito. Não tenho como confirmar a história, mas também não tenho como desmentir, portanto fica aí o registro.

Enquanto isso, pelo mundo a fora - incluindo os próprios Estados Unidos - pipocam manifestações de apoio ao gesto que vai entrar para a história como o legado final da sórdida "era Bush".

O Code Pink, um grupo de mulheres americanas contrárias à guerra do Iraque, prepara o envio à Casa Branca de tantos sapatos quantos puder arrecadar, inscrevendo em cada um o nome de um iraquiano morto durante a ocupação. "Quem deveria estar na prisão é George Bush, e deveria ser acusado de crimes de guerra", sentencia sua líder Medea Benjamin.

Se depender de defesa, al Zaidi não vai murchar na prisão: uma legião de advogados já se mobilizou pelos quatro cantos do planeta: "É o mínimo que podemos fazer para um iraquiano que se voltou contra um tirano criminoso como Bush, que já matou 2 milhões de pessoas no Iraque e no Afeganistão", afirmou Khalil Doulaïmi, advogado que defendeu Saddam Hussein. A propósito, Doulaïmi prepara uma interessante tese de defesa: não há crime (a agressão a chefe de estado estrangeiro é crime previsto em Lei no Iraque, e sujeito a detenção de até dois anos), mas legítima defesa, pois os EUA invadiram e ocupam o Iraque. Em face disso, toda a resistência torna-se legítima. Até o arremesso de sapatos contra o chefe do estado agressor.

Já dá pra ver que qualquer processo contra al Zaidi promete converter-se no julgamento da própria invasão norte-americana, o tipo de batata quente que nenhum juiz iraquiano quer ter que segurar com as próprias mãos. Vai ser um exercício e tanto pro governo biônico do Iraque se livrar dessa saia justa.

"Jogar sapatos na cara de Bush é a resposta normal e adequada a tudo o que foi cometido por este 'criminoso' e seu bando de assassinos contra o povo iraquiano", adianta um grupo de teólogos, advogados e cientistas iraquianos.

Ao mesmo tempo que proclamavam al Zaidi "herói nacional", iraquianos furiosos tomaram as ruas protestando contra sua detenção. Do gesto do jornalista surgiu um novo esporte nacional: arremesso de sapato contra ianque. Não creio, no entanto, que o Comitê vá incluir essa nova modalidade para as próximas olimpíadas. Uma pena.

Vale a pena (sempre) ver de novo:




Se você também gostaria de poder dar uma sapatada no quase-ex-presidente americano, experimente este link.

5 de dez. de 2008

SUSPEITA


É no mínimo suspeita a execução (assim o define a própria polícia) do Vice-Presidente do CREMERS justo quando o SIMERS submete à avaliação do Conselho o fechamento dos hospitais da ULBRA.

Se não, confira:


Simers pedirá interdição dos hospitais da Ulbra

Entidade também vai propor o cancelamento do vestibular para o curso de Medicina

O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) anunciou nesta segunda-feira que pedirá ao Conselho Regional de Medicina (Cremers) a interdição dos hospitais da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) e o cancelamento do vestibular para o curso de Medicina. O motivo é que os mais de 800 médicos que prestam serviço como empresa estão sem receber desde agosto, há esvaziamento dos hospitais, unidades paradas e começa a faltar materiais básicos, como oxigênio, de acordo com o Simers.

— Muitos profissionais estão tendo de buscar outras alternativas de trabalho já que não há perspectiva de regularização dos pagamentos. Sem pessoal suficiente e materiais para atendimento, a operação oferece risco à população — disse o presidente da entidade médica, Paulo de Argollo Mendes.

Hospitais em Porto Alegre, Canoas e Tramandaí estão com parte dos serviços paralisados por falta de profissionais e materiais. A assessoria de imprensa da Ulbra afirmou que ainda não tinha uma resposta da universidade sobre a situação, e aguardava um retorno da diretoria.

A universidade tem mais de 10 mil empregos diretos, milhares de prestadores de serviços e mais de 140 mil estudantes. O plano de saúde tem 80 mil segurados. A interdição depende de vistoria do Cremers.

Além da interdição, o sindicato e a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) deverão pedir audiência com os ministros da Educação e da Saúde, além dos prefeitos de Porto Alegre, Canoas e Tramandaí. O objetivo é enfrentar o impacto da redução de atendimentos para a população. O Simers também anunciou que sugerirá aos ministros uma intervenção federal para assegurar a continuidade dos serviços.

Confira a situação em cada hospital:

Hospital Luterano
(Rua Álvaro Alvim), em Porto Alegre - Tem cerca de 120 leitos, 85% do atendimento é de segurados do plano Ulbra Saúde. Tem atendimento nas especialidades clínica, obstétrica e cirúrgica - O segundo e quarto andares estão fechados para atendimento de pacientes - Falta de profissionais compromete plantão de fim de semana

Hospital Independência, em Porto Alegre - Cerca de 110 leitos (50% SUS e 50% particular), sendo que apenas sete estão ocupados, e não se aceita mais internações - Especializado em ortopedia e traumatologia, atende cerca de 200 pacientes por dia na emergência - Bloco cirúrgico fechado para cirurgias eletivas - Apenas casos graves estão sendo atendidos - Suprimento de oxigênio deve durar apenas mais uma semana

Hospital Universitário, em Canoas - Cerca de 160 leitos, 104 estão ocupados - As duas emergências (SUS e convênios) foram unificadas, devido à falta de oxigênio e de materiais - Os plantões clínicos e pediátricos, com dois médicos para atender SUS e dois para os convênios em cada especialidade, foram reduzidos para um clínico e um pediatra - O atendimento de convênios caiu 90% - Sexto e oitavo andares (são 10 no total) estão fechados - Previsão de sexta-feira passada era de que o oxigênio durasse mais 72 horas

Hospital de Tramandaí (Ulbra assumiu por comodato) - 111 leitos, urgências 24h, UTI adulto, infantil e neonatal e diversas especialidades para internação - 90% atendimento pelo SUS (único em Tramandaí, recebe pacientes de toda região) - Ocupação caiu para pouco mais de 50% dos leitos - Escalas de plantão somente até 30 de novembro, depois, não há previsão, ante a impossibilidade técnica de atendimento e atrasos de três meses em pagamento (todos os médicos são prestadores)

(fonte: Zero Hora, em 24/11/2008)

Não preciso dizer que, como sempre neste Estado que se arvora a bastião da Justiça, moralidade e bons costumes; esse crime que fede a encomenda será devidamente morcegado. Espere e verá.

17 de out. de 2008

WHO LET THE DOGS OUT?!


Ontem, mais uma vez, o (des)governo Yeda deu mostras de competência e capacidade de reagir com rapidez num momento de crise. No melhor estilo "na dúvida, porrada neles", o cel. Mendes (que em off já responde pelo codinome Coronel Nascimento) soltou os cachorros nos bancários e sobrou cacetada e bala de borracha pra tudo quanto é lado.

Proponho uma ação no PROCON contra o marketing de campanha da (des)governadora por propaganda enganosa: esse "novo jeito de governar" a gente já conhecia desde antes da proclamação da República.

8 de out. de 2008

AINDA SOBRE A 116


As três obras emergenciais prometidas pelo Governo do Estado pra pelo menos aliviar o caos da BR 116 ainda neste segundo semestre nem saíram do papel.

A última informação que tivemos do Dnit, na semana passada, dava conta de um problema com a licitação para essas obras. As empresas interessadas não haviam respondido a um quesito no edital que exige experiência na produção de concreto armado. (Ronaldo Zulke)

A Zero Hora procurou o Hilderaldo Caron (pra quem não sabe, diretor de infra-estrutura rodoviária do DNIT) que estava, segundo sua assessoria, muito ocupado pra responder sobre o assunto.

Puxa, que coisa! TODAS as concorrentes esqueceram de preencher o mesmo tópico do edital... mas que azarão, hein senhor diretor! Se não fossem as empreeiteiras e o governo do Estado tão bem intencionados no que tange à BR 116, eu até ia desconfiar.

Nah... devo estar ficando paranóica: não se faz política assim no Rio Grande... não é?

7 de out. de 2008

EMPURRANDO COM A BARRIGA


Foram os municípios da Região Metropolitana, particularmente Canoas, Esteio e Alvorada que cresceram ao redor da BR?

Ou foi a incompetência de décadas de gestores míopes que se limitou a seguir o crescimento vegetativo de uma antiga rota de carroças que ligava o Vale dos Sinos e a Serra à capital?

No trecho que liga Porto Alegre a Novo Hamburgo, a BR 116 deveria funcionar como uma estrada vicinal, já que cruza as zonas urbanas de vários municípios; não mais do que uma opção para a circulação local de veículos de passeio e de pequeno porte; nunca a artéria da qual depende a economia do Estado como um todo.


O fato é que a BR 116 está no limite. O trecho de Canoas é o maior gargalo em rodovias no Brasil, sendo recordista de trânsito de veículos, de acidentes e mortes.

Segundo especialistas, em três anos a rodovia terá atingido seu ponto de saturação, e os congestionamentos que vemos em horários de pico se estenderão pelo dia e pela noite.

O que vai resultar em mais acidentes e mais mortes evitáveis.

Qual a solução?

O Polão defendido pelo Governo do Estado e concessionárias, ou o Anel Rodoviário, defendido pela Assembléia e pelos prefeitos e políticos da região?

A questão remete, como sempre, à promiscuidade entre interesses privados e a administração pública.

Senão, vejamos:

Em 18/08/1997 o Poder Executivo do Estado aprovou a Lei n° 10997, que estabelecia a concessão da operação, conservação, manutenção, melhoramentos e ampliação de diversos trechos de rodovias estaduais à iniciativa privada.

Detalhes deste projeto podem ser vistos aqui.

Em 2005, foi criada a Comissão de Representação Externa sobre o Anel Rodoviário Metropolitano, predisida pelo petista Ronaldo Zulke.

Em 06/06/2005, em audiência pública realizada com prefeitos e vereadores dos municípios envolvidos, a Comissão ressaltou que:

As prefeituras analisam duas alternativas para o problema do esgotamento da rodovia federal: o Pólo Metropolitano (Polão) e o Anel Rodoviário. O Pólão reúne em torno de 200 quilômetros de estradas já existentes - as BRs 116 e 386 e a RS 118 - e futuras, com prolongamentos e duplicações. Em troca das obras, o projeto estabelece a implantação de quatro praças de pedágio na BR 116. Já o Anel Rodoviário prevê a construção de duas vias expressas paralelas à BR-116, ligando Porto Alegre a Novo Hamburgo - uma pelo lado Leste e outra pelo Oeste.

O diretor do Grupo Editorial Sinos, Miguel Schmitz, defende a segunda opção. Ele argumenta que a Rodovia do Progresso, como é chamado o Anel Rodoviário no Vale do Sinos, é mais barata que o Polão e que está sendo amplamente debatida com a comunidade. Lembra também que o Pólo Metropolitano prevê a instalação de praças de pedágio na BR 116 10 anos antes das obras iniciarem. "As obras não iniciarão imediatamente, mas a cobrança de pedágio sim", frisou.

O prefeito de Novo Hamburgo e ex-secretário de Transportes do Rio Grande do Sul tem opinião semelhante. Jair Foscarini defende o andamento do projeto do Anel Rodoviário e alerta para a contrapartida inviável do usuário, prevista no Polão. "Os pedágios do Polão assustam. Quem se deslocar, diariamente, de Portão a Porto Alegre irá gastar mais de R$ 200,00 por mês", contabilizou.

Lideranças da região Metropolitana e do Vale do Sinos alegam, ainda, que a instalação de praças de pedágio na BR 116 irá promover mais congestionamentos. "Não há espaço para isso. O Polão não resolve o problema da baixa fluidez do tráfego e nem da falta de segurança da rodovia", apontou o Clelói Bassani, vereador de Novo Hamburgo.


Havia, portanto, entre os representantes políticos da região, clara preferência pelo projeto do Anel Rodiviário (ou Rodovia do Progresso).

No dia 29 de agosto do mesmo ano, a Comissão ouviu o Secretário dos Transportes, Alexandre Postal, que declarou que "nenhuma ação será tomada para desafogar o trânsito na BR-116 enquanto o Ministério dos Transportes (MT) não anunciar se aprova ou não a licitação que prevê a execução do Complexo Rodoviário Metropolitano (Polão)" - leia-se a concessão a um consórcio privado prevista na Lei n° 10997.

Isso apesar de prefeitos e representantes da região terem se manifestado contra tanto o traçado quanto o custo dos pedágios do "polão".

Ao final da reunião, Zulke afirmou: Vamos pressionar para que o MT assinale para a revogação da licitação do Polão já na próxima reunião. Assim, estaremos nos encaminhando para a conclusão de nossos trabalhos e para a solução dos problemas da BR-116.

Em 21/07/2006, saia na imprensa:

A batalha jurídica travada entre o Consórcio Metropolo (Andrade Gutierrez S/A, Camargo Correa S/A, Sultepa S/A, Brasília Guaíba Obras Públicas S/A, Toniolo Busnelo S/A Túneis, Terraplanagens e Pavimentações) e o Ministério dos Transportes pela exploração das estradas federais abrangidas pelo Complexo Rodoviário Metropolitano do Rio Grande do Sul chegou ao Superior Tribunal de Justiça na forma de mandado de segurança com pedido de liminar contra ato do ministro dos Transportes que revogou o processo de licitação vencido pelo referido consórcio.

O presidente em exercício do STJ, ministro Francisco Peçanha Martins, não acolheu o pedido de liminar impetrado pelo consórcio e determinou que os autos sejam remetidos à ministra Eliana Calmon, relatora do processo, após o término do período de férias forenses. Assim, os efeitos da Portaria 42 editada pelo Ministério dos Transportes no dia 17 de março de 2006 continuam valendo até o julgamento final da presente ação de mandado de segurança. Em seu despacho, o ministro sustentou não vislumbrar qualquer circunstância que justifique a apreciação urgente da medida.

(...)De acordo com os autos, a exploração das referidas estradas federais foi transferida pelo governo federal ao estado do Rio Grande do Sul em 1997, pelo Convênio de Delegação número 003/97. No mesmo ano, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem do Estado (DAER/RS) publicou edital de concorrência (350/97) para a concessão do Complexo Rodoviário.

A licitação foi vencida pelo Consórcio Metropolo em dezembro de 1998. Em julho de 2000, o governo federal cancelou o Convênio de Delegação e retomou a administração das rodovias. O processo de licitação foi retomado em 2001, agora no âmbito federal, e concluído em 2002, quando o ministro dos Transportes teria determinado sua homologação e a adjunção ao Consórcio vencedor – no caso a Metropolo.

Em 2004, acatando determinação do Tribunal de Contas da União (TCU), o Ministério solicitou a elaboração de estudo de viabilidade pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Em março de 2006, o Ministério dos Transportes editou a Portaria 42 revogando a concorrência de outorga das rodovias (350/97).


De lá pra cá, mudou o Governo do Estado, mas a orientação permanece a mesma: nada será feito pela BR 116 se não for por via de um consórcio privado. É o velho truque de empurrar com a barriga até que a coisa fique tão osca que a gente aceite qualquer proposta que o governo se dignar a apresentar. Nesse meio tempo, a Andrade Gutierrez, a Camargo Correa, a Sultepa, a Brasília Guaíba Obras Públicas e a Toniolo Busnelo ficam de molho, torcendo que a coisa vá de mal a pior pra nós.

Enquanto isso, cenas como esta se repetem a cada minuto ao longo da rodovia:



Até quando?

5 de out. de 2008

ENTENDENDO O SISTEMA FINANCEIRO


Vamos ficar ricos? É facinho, facinho...

Primeiro, a gente monta uma banquinha no mercado e se oferece pra guardar o dinheiro pras outras pessoas - sabe como é, é complicado andar por aí com os bolsos cheios com tanto assalto e tudo o mais...

Aí, a gente pega esse dinheiro e começa a apostar por aí: aposta se o preço do açúcar vai subir ou não, aposta se o café vai vender mais, aposta de o preço da gasolina vai duplicar... vai jogando. Quanto maior o azarão, mais a banca paga de volta: apostar que um montão de gente vai financiar a casa própria se as prestações couberem no orçamento mesmo que os juros vão aumentando até o ponto em que as prestações já não caibam mais no orçamento, por exemplo, paga muito mais que apostar que a Petrobrás vai ter muito lucro ano que vem; já que o contraria o mínimo bom senso.

Nesse meio tempo, pra impedir que as pessoas que deram o dinheiro pra gente guardar tirem o dinheiro todo assim de uma vez (já que esse dinheiro não está mesmo nos nossos cofres, mas nas bancas de apostas espalhadas por aí), a gente cria algumas regrinhas, pra complicar: tem que avisar dias antes de sacar, tem que pagar uma taxa cada vez que for mexer no dinheiro, etc... isso tudo para a própria segurança dos nossos clientes; ao mesmo tempo que cria certas "facilidades" como um cartão plástico que elas podem usar ao invés de dinheiro, ou um bloquinho que elas podem preencher pra pagar contas - e se cobra uma taxinha por isso, é claro: lembre que sempre é preciso cobrar, porque, afinal, dinheiro não sai de graça.

E continuemos jogando, e apostando cada vez mais alto: quanto mais alto e arriscado apostar, mais a gente ganha pra gastar em carros, aviões, barcos, mansões, férias na europa, e fotos nas colunas sociais - quanto mais disso tiver, mais "credibilidade" a gente ganha com as pessoas que botam o dinheiro no cofrinho pra gente "cuidar".

É preciso lembrar também de cuidar das nossas "instalações": erguer prédios enormes com um baita logotipo na fachada (de mármore, de preferência) e pinturas e obras de arte bem caras espalhadas por todos os cantos; contratar uma legião de gente "séria" e bem vestida, fazer muita, mas muita propaganda e merchandising, apoiando eventos culturais e esportivos - tudo isso com o dinheiro que nos deram pra guardar, porque os lucros que auferirmos, a gente vai guardando num outro cofrinho especial, bem guardadinho, de preferência na Suíça. Com esse dinheiro, a gente não aposta nunca, ok? É importante lembrar que só se joga com o dinheiro dos outros, nunca o nosso.

Oooops, não deu o azarão? A safra de café foi recorde e o preço baixou? As pessoas deixaram de pagar as prestações e agora as financiadoras não têm dinheiro nem pro cafezinho?

Não esquenta: a gente chama os outros banqueiros e os amigos da imprensa. Se todo mundo gritar bem alto e juntinho, os governos correm a tapar os buracos com o dinheiro dos impostos que as pessoas pagam - como a gente paga muito pouco não está nem aí.

Aí é só botar as barbas de molho por um mês ou dois, fingindo que estamos fazendo a lição de casa; que logo que a poeira baixar volta tudo a ser do jeito que era antes e a gente pode de novo apostar no azarão, com a certeza que vai sempre sair rindo e com alguns milhões e mais pra acumular bem guardadinhos na Suíça.

27 de set. de 2008

UM THUNDERBIRD NA CASA BRANCA?


Ontem à noite me armei de paciência e assisti ao debate entre Obama e McCain. Parte dele, pelo menos, porque aquilo foi tudo menos um debate - principalmente porque na retórica não há basicamente distinção explícita entre os dois: ambos são de direita (um, um pouco mais, o outro, um pouco menos), ambos defendem o imperialismo e supremacia star & stripes, e de nenhum pode-se esperar grandes mudanças ou avanços na hipocrisia que impera na política yankee (como em qualquer outro país dito "democrático").

Mas não foram nem os monólogos nem o "audiômetro" (um graficozinho que a CNN inseriu na tela mostrando a reação da audiência às falas dos candidatos) que mais me chamaram atenção, mas sim a descoberta que fiz: o senador McCain é na verdade um Thunderbird!

Lembra aqueles fantochinhos da década de 60, um tempo atrás ressuscitados pra telona com efeitos e coisa e tal? No filme, os bonecos foram aperfeiçoados, mas na série de tv eram mais como um híbrido entre marionetes e bonecos de ventrílogo, com aqueles cortes nos cantos da boca pra fazer de conta que se mexe.

Pois é... E não é que o McCain só mexe o queixinho que nem um Thunderbird? Bom, dizer que só mexe o queixinho é quase uma injustiça: as rugas da testa também se mexem. E pára por aí.

Dá nos nervos, dá uma coisa na gente ver aquele cara falando, gente! É como se tivessem injetado botox em todo o rosto, do lábio superior às sobrancelhas. Maior agonia! O cara mais parece um peixe morto!

Outra coisa que dá nos nervos: o Obama é loquaz e gesticula bastante, a gente vê seus olhos correndo do opositor ao mediador e deste para a audiência, as câmeras; a gente até vê quando ele olha dentro de si buscando uma palavra, uma informação. Gagueja e tropeça nos próprios pensamentos como o mais comum dos mortais.

O contraste com o thunderbird rijo de olhos fixos e inexpressivos como os de um zumbi é chocante. Rijo como se estivesse estaqueado àquele palanque, McCain praticamente não gesticula e seu olhar fica fixo no mediador.

A certa altura dei por mim procurando os fios de nylon que às vezes dava pra ver na série da tv. Em se tratando de um republicano, até dá pra desconfiar, dado o histórico de marionetes que eles conseguiram catapultar à Casa Branca.

Pra encerrar, não se entenda por este post que sou simpática ao Obama. Não sou simpática a nenhum dos dois, porque não vejo em nenhum deles a resposta para as necessidades reais da população norte-americana. De mais a mais, pra nossa balança comercial aqui, governos liberais fundamentalistas (=republicanos) são melhores do que os nacionalistas (=democratas), como quase uma década de governo Bush bem o comprovou (e como, antes dele já o haviam comprovado Reagan, Bush pai e outros).

Por outro lado, vejo esse enfraquecimento econômico dos EUA mais como um sinal positivo no sentido de um equilíbrio de forças no cenário internacional do que como o cataclisma institucional que andam apregoando (não esqueça nunca que o capital diretamente afetado por esta "crise" é também dono da mídia, portanto é mais que lógico que a imprensa defenda seus interesses aumentando as proporções do dito desastre): uma América enfraquecida economicamente tenderá a ser mais aberta ao diálogo, à negociação e à adesão a compromissos e acordos internacionais já que necessitará como nunca nas últimas décadas do apoio de seus aliados.

Enquanto não chega uma solução pro problema das insolvências e o pleito de novembro não bota um fim na hipocrisia de democratas e republicanos que ficam adiando decisões que deveriam ter sido tomadas anteontem, recomendo aos nossos vizinhos do Norte paciência, cautela e doses diárias da novena do Santo Expedito:

Senhor, tende piedade de mim. Jesus Cristo, tende piedade de mim.
Senhor, tende piedade de mim. Jesus Cristo, nos ouça. Jesus Cristo, nos escute.
Pai celestial, que sois Deus, tende piedade de mim. Deus, Espírito Santo, tende piedade de mim.
Santa Maria, Rainha dos Mártires, rogai por mim.
Santo Expedito, fiel até a morte, rogai por mim.
Santo Expedito, que tudo perdeu para ganhar a Jesus, rogai por mim.
Santo Expedito, que foste atormentado, rogai por mim.
Santo Expedito, que pereceste gloriosamente pela espada, rogai por mim.
Santo Expedito, que recebeste do Senhor a Coroa de Justiça que é prometida aos que O amam, rogai por mim.
Santo Expedito, ajudante daqueles que lhe pedem coisas, rogai por mim.
Santo Expedito, patrono da juventude, rogai por mim.
Santo Expedito, auxílio dos estudantes, rogai por mim.
Santo Expedito, modelo de soldado, rogai por mim.
Santo Expedito, protetor dos viajantes, rogai por mim.
Santo Expedito, salvador dos enfermos, rogai por mim.
Santo Expedito, consolador dos aflitos, rogai por mim.
Santo Expedito, apoiador fiel dos que se apegam em vós, rogai por mim.
Santo Expedito eu te suplico, não deixe para amanhã o que podes fazer hoje, vem em meu auxílio.
Jesus, Cordeiro de Deus, que tiras o pecado do mundo, perdoe-me, Senhor.
Jesus, Cordeiro de Deus, que tiras o pecado do mundo, escute-me, Senhor.
Jesus, Cordeiro de Deus, que tiras o pecado do mundo, tende piedade de mim, Senhor.
Jesus, escute-me.
Jesus, escute minha oração. Que minha voz chegue a ti, Senhor.

(Depois dessa oração, rezar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e uma Glória-ao-Pai.)

25 de set. de 2008

ORDEM NO GALINHEIRO


Essa vem da agência Lusa: BERLIM DEFENDE REGULAÇÃO UNIVERSAL PARA MERCADO FINANCEIRO.

Já não era sem tempo de alguma voz de peso se juntar ao apelo de Lula por alguma ordem no galinheiro do laissez-faire. Nas palavras do ministro alemão das Finanças, Peer Steinbrück:

Trata-se nem mais nem menos de re-civilizar os mercados financeiros e evitar assim no futuro crises semelhantes.

Indo além, ele afirma que isso não será atingido com apelos retóricos à moralidade ou por meras declarações de intenção. Nada disso. Ele propõe a criação de mecanismos reais de regulação da bandalheira que impera no mercado de capitais particularmente no sistema anglo-americano e que nos lança a todos na lamaçeira dessa crise mais que anunciada.

Digo e repito: CADEIA PRA ESPECULADOR.

22 de set. de 2008

QUEM GANHA COM A QUEBRADEIRA



Tá no blog do Sergio Dávilla de hoje:

Quando a Enron, a gigante de energia que faliu e deixou milhares na miséria, o CEO Kenny Boy saiu com um pacote de US$ 42,4 milhões.

CEO do Lehman Brothers, Richard Fuld deve embolsar US$ 65 milhões com a concordata do banco.

Stan O'Neal, do Merrill Lynch, levou US$ 160 milhões -o banco de investimentos, o terceiro maior dos EUA, foi vendido antes que quebrasse. Jimmy Cayne, que comandou o Bear Stearns por 15 anos, levou US$ 61,3 milhões em venda de ações. Além do pacote, ganhou um "plano-aposentadoria" de US$ 30 milhões.

Tô falando que o pânico das bolsas não é um fenômeno isolado: é tudo um golpe aplicado por tipos como os estelionatários acima pra garantir suas aposentadorias. O povo que se rale, como sempre se ralou no curso da história.

5 de set. de 2008

NADA DE NOVO



Mais um dia de histeria nas bolsas pelo mundo a fora. A cada vez que os tubarões dançam ao redor dos números, centenas de milhares (e, dependendo do caso, milhões) perdem seus empregos, suas casas, seus planos de saúde, suas perspectivas de vida, etc etc etc.

Solução? Criminalizar a especulação financeira: bolsa de valores é JO-GA-TI-NA, só ajuda a economia dos donos do capital, e de ninguém mais. Wall Street, assim como todas as bolsas em todos os países, não passa de um cassino com crupiês fantasiados de executivo. Cadeia pra essa corja.

E tenho o dito.

28 de ago. de 2008

AINDA SOBRE OS PLÁTANOS


Muito esclarecedora a explicação da SMAM para não estar mais efetuando a poda da erva de passarinho nas árvores de Porto Alegre (publicada no Jornal Petrópolis, encartado na Zero Hora):

Na década de 90, do total da arborização de Porto Alegre - cerca de 1 milhão de árvores -, aproximadamente 70 mil foram atacadas por erva-de-passarinho, ou seja, esse número de vegetais deveria ser submetido a podas, durante o inverno, para a remoção da erva, tarefa que custaria não menos que R$ 21 milhões (valores atuais) e que certamente seria infrutífera, pois essas mesmas árvores seriam repovoadas ao longo dos anos. Logo, as práticas mais indicadas são a do convívio com a erva-de-passarinho (que tem, como seu próprio nome diz, importância como fornecedora de alimento para a avifauna) e a realização de podas de controle apenas quando há possibilidade de recuperação da árvore, com a gradual substituição das espécies suscetíveis (normalmente exóticas) por outras não atacadas, como já vem sendo feito há pelo menos 10 anos e ocorreu recentemente na região de Petrópolis.

Ah, então tá explicado, hein? Pois é... Mentecapto administrando o Estado como se fosse a iniciativa privada dá nisso! A próxima coisa que vão dizer é que não vale a pena manter postos de saúde, porque as pessoas são tratadas, mas as doenças acabam sempre voltando, e isso gera custo sem perspectiva de retorno - empresa só funciona na perspectiva do retorno, certo?

Olho com tristeza o velho plátano em frente à minha janela. Ele já estava aqui muito antes que os tataravós dessa corja liberal mal-intencionada que acaba de condená-lo à morte.

O que fazer? O que fazer?

Meu grito não encontra eco, pois as pessoas estão preocupadas com a segurança, com os roubos de carros, em se cercar de grades, alarmes e sistemas de monitoramento à distância. E se não estão, é porque já se mudaram pra um imponente arranha-céu, devidamente cercado de grades e guaritas. "Danem-se as árvores, queremos é segurança para nossos carrões e tevês de plasma!!", urra a voz insana do consumo.

E nisso nossas vidas vão ficando sérias, cinzas, tristes e vazias. Ah, mas temos dinheiro. Yes, nós temos bananas.

Pensando bem, meu plátano aqui já viu dias melhores e talvez seja mesmo hora de partir se, ao que parece, sua única função neste mundo é fornecer sombra aos carros flex (sempre pretos, cinzas, brancos ou vermelhos).

22 de ago. de 2008

ENQUANTO ISSO, NA SUAZILÂNDIA...

Está nos jornais de hoje:

Mulheres protestam na Suazilândia contra extravagância da realeza

Centenas de mulheres na Suazilândia realizaram uma passeata pelas ruas da capital, Mbabane, para protestar contra os gastos com uma viagem ao exterior para compras feita por nove das 13 esposas do rei Mswati 3º. Elas alugaram um avião na semana passada para ir à Europa e ao Oriente Médio.

Os manifestantes entregaram uma petição ao Ministério das Finanças dizendo que o dinheiro poderia ter sido gasto de uma forma mais proveitosa. "Nós não podemos nos dar ao luxo de uma viagem de compras quando um quarto da nação vive com ajuda alimentar internacional", gritaram as mulheres. "Nós precisamos deste dinheiro para ARVs (medicamentos antiretrovirais)." Aids A Suazilândia, a última monarquia absolutista da África, é um dos países mais pobres do mundo e, estima-se, mais de 40% da população estaria infectada com o vírus HIV, que causa a Aids.

A passeata foi organizada pela ONG Positive Living (Vivendo Positivo), para mulheres com Aids.

Participaram dela mulheres de todas as faixas sociais, de profissionais liberais a representantes do setor agrícola.

O rei da Suazilândia, que tem 40 anos, foi criticado no passado por requisitar dinheiro público para pagar por novos palácios, um avião pessoal e carros de luxo.

A notícia da viagem de suas esposas apareceu na imprensa local um dia depois que elas deixaram o país.

Em meados desta semana, príncipes advertiram as mulheres para não realizar o protesto, dizendo que ele desafia a tradição do país.

(BBC - 21/08/2008 - 21h29)

Se você não faz idéia de que fim de mundo é esse, seguem alguns fatos:

Localização:



População: cerca de 1 milhão.



Política: foi protetorado da Inglaterra de 1902 a 1968, quando passou a integrar o Commonwealth como Estado independente. É uma monarquia absolutista.

Vive em estado de emergência desde 1973, dependendo de ajuda internacional.

Saúde: apresenta o maior índice de infecções por AIDS no mundo: 38,8% e a expectativa de vida é de menos de 40 anos. A taxa de mortalidade infantil é de 67 para cada mil habitantes. A UNICEF estima em 100 mil o número de crianças órfãs em conseqüência da AIDS. 54% da população tem acesso a água potável.

Economia: predomina a agricultura de subsistência, que ocupa 80% da força produtiva. 69% da população se encontra abaixo da linha de pobreza. 60% dos alimentos consumidos no país são importados.

Ajuda Internacional: o gráfico abaixo foi elaborado pela FAO:


As zonas em amarelo representam o percentual de indivíduos livres da fome, em vermelho a dos que estão inclusos na ajuda da FAO e as azuis dos que não contam com ajuda alguma. As colunas representam, respectivamente da esquerda para a direita: miseráveis, pobres, médios e remediados (incluindo os ricos).

Ora, que interessante: a ajuda internacional também atinge pessoas das classes A e B! Por quê será? Segundo a FAO, isso requer um "aprimoramento dos sistemas" que determinam os beneficiários da ajuda. Acorda, FAO: rico não precisa de arroz e feijão nem na Suazilândia. É mais que óbvio que há um GRANDE desvio desses recursos tão "generosamente" doados pelo primeiro mundo.

Aliás, explorar o sentimento de culpa que assola os cidadãos do primeiro mundo já virou profissão. Que o diga o presidente do Comitê Nacional de Respostas a Emergências, Ben Nsibandze que culpa o aquecimento global (causado, obviamente pelos países do primeiro mundo e economias emergentes) pela seca prolongada que está piorando a situação de miséria de quase 70% da população. Estranhamente, ele sequer comenta os aumentos nos preços das sementes e dos implementos agrícolas - todos importados das grandes multinacionais que todos conhecemos; cujos preços subiram cerca de 150% ao longo dos últimos 5 anos. Zeloso como é, o governo da Suazilândia certamente encabeça todas as negociações para a compra de sementes e implementos, sempre em benefício do tesouro. Mas, ora veja: é uma monarquia! O tesouro pertence ao rei: o rei é o Estado.

Fica a pergunta para os súditos da rainha, tão democráticos, tão cheios das "verdades" que não hesitam em esfregar na cara de todo o mundo como escudeiros da OTAN. A Suazilândia é tão membro do Commonwealth como a Austrália, a Nova Zelândia, a Escócia, a Irlanda e a própria Inglaterra. E aí, comissário Gordon? Como é que explica uma coisa dessas?!

Se você quer saber mais sobre a Suazilândia, vai ter que procurar. 99% do que se encontra na internet sobre o país são páginas oficiais ou oficialescas com informações turísticas e generalidades. Monarquia é isso.

Bah! Paro aqui antes que comece a vomitar.