3 de out. de 2008

VAMOS E VENHAMOS


O Supremo proibiu a contratação de parentes nos três poderes. Palmas pra ele. Já não era sem tempo.

Mas aí vem um espertinho chamado Covatti, dum partidinho chamado "Progressista" e dá um jeitinho: demite os cunhados e contrata no lugar as mulheres deles.

Que cara de pau, deputado! E ainda dá entrevista pra tudo quanto é rádio e televisão, todo pomposo, justificando o mau-caratismo sem o menor constrangimento, todo cheio de razão!

Sinceramente, tô de saco pra lá de cheio dessa gentalha: PORRADA NELES!

E porrada a gente dá no voto: já tá mais que na hora de se encarar a política como um negócio sério: assessor de político deve ser escolhido pela capacitação e competência mais do que por inclinações pessoais. Quem é que não conhece aquele primo ou mesmo irmão de político que fez fortuna na vida trocando favores? Essa polititica só beneficia aos clãs desses políticos e impede que esse país caminhe pra frente.

E tenho o dito.

2 de out. de 2008

TIRO NO PÉ


A aparente esperteza marketeira dos republicanos de escolher uma mulher jovem e bonita para vice está complicando ainda mais as coisas pro lado da capanha do thunberdirb McCain.

60% dos yankees desconfiam que a moça não está preparada para a tarefa e, ainda mais, temem que aos 72 anos o velho senador não segure bem a montanha-russa da Casa Branca - o que os deixaria nas mãos da moçoila amiga dos fabricantes de armas e defensora dos autênticos "valores cristãos".

Antes dela abrir a boca numa série de entrevistas há um mês atrás, os yankees a avaliavam tão bem como McCain ou Obama - com cerca de 45% de ceticismo.

É surfando nessa marola que a moçoila vai agora enfrentar a velha raposa que os democratas escolheram para vice (Biden é senador pelo 6° mandato consecutivo e atual chefe do Comitê de Relações Exteriores do senado); no único debate a ser travado entre os dois.

De minha parte, já comprei um saco de batatinhas e estou esquentando o sofá: o debate promete ser muito divertido.

MERCHANDISING

Há cerca de 10 dias, de hora em hora o UOL Notícias apresenta a seguinte manchete como se fosse parte do noticiário da Folha Online:

Aprenda a usar as novas regras ortográficas da língua portuguesa, com livro do Instituto Houaiss

Isso já tá me dando nos nervos.

Pior ainda que notícia requentada, é merchandising travestido de notícia requentada.

ATÉ ONDE VAI A PARANÓIA

Tá nos jornais de hoje:


A pequena cidade de Molfsee, no Estado de Schleswig-Holstein, na Alemanha, quer proibir o Google de fazer imagens para o serviço Street View, do Google Maps. O sistema fornece fotografias panorâmicas detalhadas dos locais em que está disponível. De acordo com a cidade alemã, a ferramenta facilita a ação de criminosos.

Detalhe: Molfsee tem 5 mil habitantes.

Das duas uma: ou o pessoal lá dorme em colchões forrados de grana, ou a paranóia tá comendo soltinha soltinha.

OS PINGUINS E O APAGÃO


Pra ver que o apagão não atrapalha só a vida da gente: depois de sobreviverem ao stress de se perderem do grupo, indo dar na quente e ensolarada Bahia de Todos os Santos; sobrevivendo às agruras dos trópicos graças ao empenho e dedicação de ONGs e voluntários; os 259 pingüins liberados para a viajem de volta à Patagônia agora ainda têm que suportar as agruras da inépcia que impera no sistema de aviação brasileiro.

Por "problemas técnicos", o avião da FAB (um Hércules C130) que os traria de Salvador para Pelotas, e que estava previsto para partir ontem, dia 1°; só levantará vôo hoje no começo da tarde. Não há menção às condições a que estão submetidos durante essa espera. Imagino que o pessoal das ONGs que tanto se dedicou deve ter corrido para providenciar algum alimento e refrigeração. Enquanto isso, o caminhão refrigerado que os levará do aeroporto de Pelotas ao CRAM (Centro de Recuperação de Animais Marinhos) de Rio Grande, fica de prontidão.


Para os cerca de 71 (os números cariam entre 71 e 73 conforme a publicação) pinguins resgatados na orla capixaba, ao apagão aéreo, soma-se o apagão da imprensa:

Segundo alguns jornais, os pingüins estariam inicialmente previstos para embarcar num vôo direto da VARIG Cargo no dia 25 de setembro, tendo sido "re-escalonados" para um vôo da TAM Cargo com escala em São Paulo que teria partido de Vitória por volta da meia-noite do dia 26. O vôo de fato ocorreu, e 30 minutos depois da escala, o avião precisou retornar a São paulo devido a uma pane, mas como há relatos de passageiros sobre o incidente, desconfio que não se tratava do mesmo vôo dos pingüins (a não ser que a TAM Cargo agora transporte passageiros também).

Segundo outros ainda, teriam seguido num outro vôo da TAM para o Rio Grande do Sul, e a essa altura já se encontrariam em Rio Grande.

Num forum de aviadores, encontrei o que me pareceu a informação mais confiável:

A empresa (TAM) transportará os animais de Vitória (ES) até Salvador (BA) na madrugada desta terça (30/09). De lá, as aves seguirão para o Rio Grande do Sul em aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB).

O avião com os pingüins deve sair às 0h30 de Vitória, em vôo direto para Salvador, pousando às 1h35. Depois, a FAB levará as aves até Pelotas (RS).


Portanto, os 71 (ou 73) pingüins capixabas estariam a essa altura em Salvador, esperando com a turma dos baianos a liberação do Hércules que os trará a Pelotas hoje à tarde.


ÊTA CONFUSÃO!!


Pra encerrar este post: os pingüins que não foram considerados aptos para o retorno à natureza (do total de 1000 animais resgatados 421 sobreviveram e destes apenas 259 foram considerados aptos para nadar de volta à Patagônia), permanecerão sob os cuidados dos técnicos do IMA até a destinação final. A divisão técnica Ibama na Bahia está responsável pelos estudos e negociações que envolvem esta destinação, que pode ter como encaminhamento instituições cientificas, zoológicos, etc.

1 de out. de 2008

AS APARÊNCIAS ENGANAM

Que a coragem do Bem-Te-Vi nos inspire a lutar mesmo quando o "inimigo" parece desproporcionalmente maior...

De quebra, um pagode do Bezerra da Silva, pra matar a saudade.

VIVA O LIBERALISMO DEMOCRÁTICO!


Dentro do mais genuíno espírito liberalista-democrático, a municipalidade de Porto Alegre governa para a maioria, não as excessões.

Tome-se a temporização dos semáforos para pedestres como exemplo: numa tacanha tentativa de reduzir congestionamentos, a temporização dos semáforos para pedestres foi reduzida ao tempo mínimo necessário para uma pessoa normal percorrer a distância entre as duas calçadas.

Idosos, mães levando crianças pela mão e pessoas com dificuldades de locomoção precisam contar com a educação dos motoristas para finalizar a travessia. O que costumam receber é muito xingatório e buzinaço, quando não são confrontados pelos roncos de motores que arrancam e freiam numa ameaça velada.

Na esquina da Ramiro com a Independência, o pedestre tem cerca de 12 segundos para percorrer os 10 metros que o separam da calçada oposta. Diz a Zero Hora: Os 12 segundos para os 10 metros de pista são suficientes para a maioria, desde que se comece a caminhar no momento em que surge a luz verde.

Na esquina da Sarmento Leite com a Osvaldo Aranha, um dos cruzamentos de trânsito mais intenso da cidade, o pedestre tem cerca de 17 segundos pra completar uma travessia de 16 metros.

O que diz a EPTC?


É claro que é uma média. Pessoas mais velhas ou com deficiência podem ter dificuldade, mas temos de ter uma referência. Gostaríamos de oferecer uma margem maior, mas o número de carros e os congestionamentos nos obrigam, cada vez mais, a ficar no limite permitido, jamais abaixo dele.


É o pensamento liberalista em ação. Velhos, crianças e deficientes representam um vermelho no custo-benefício de qualquer administração pública com suas necessidades especiais mais os tratamentos médicos, remédios e pensões; ao mesmo tempo em que se encontram à margem da dita "cadeia produtiva". Curto e grosso: velho, criança e deficiente não tem valor de mercado. E isso, na cabeça do liberal se traduz ainda mais resumidamente em NÃO TEM VALOR, PONTO.

Entre os anos 70 e 80, admiramos de olhos escancarados os avanços do primero mundo no sentido de uma JUSTIÇA SOCIAL. Admiramos tanto, que lutamos para adotá-los, e, nesse sentido, em meados da década de 90 evoluímos como sociedade trazendo de volta às ruas os idosos e deficientes até então condenados a uma vida de reclusão, isolamento e, em alguns casos, execração social. Elevamos também o status das crianças, até então vistas e entendidas como "folhas brancas" nas quais a sociedade viria a imprimir suas crenças e valores.

Mas eis que os liberais entraram em cena. Laissez faire, laissez passer... Trazemos uma nova revelação! - disseram eles - o mercado é uma divindade com poderes de geração e regeneração; capaz de se auto-gerir e auto-resolver sem a necessidade da intervenção de políticos ou meros mortais. O mercado é a resposta para as mais profundas angústias e inquietações do homem, e o consumo a panacéia para todos os males sejam físicos, emocionais ou morais. O mundo "ocidental" entrou de cabeça nessa baboseira.

E nisso, quando nos achávamos às portas da Era de Aquário (onde confiança, solidariedade, entendimento, paz, igualdade e harmonia haveriam de reinar entre os homens), no limiar do 3° Milênio, RECUAMOS 200 ANOS NA HISTÓRIA.

Oh, não? Pois saiba você: o liberalismo, como idéia, é tão moderno quanto Adam Smith, seu idealizador, que viveu na Escócia de 1723 a 1790, no alvorecer da Revolução Industrial. Isso mesmo: é VE-LHO. Bota velha nisso, mais velho que a Rainha Vitória (1819-1901). Sua retórica serviu pra justificar muitas das barbaridades que a gente leu em livros como Oliver Twist (1838). Pra não falar das barbaridades que temos visto recentemente.

Por isso, caro leitor, começe a usar o músculo que traz acima do pescoço. Ideologia não é coisa do passado, nem muito menos uma entidade etérea a pairar dissociada do cotidiano.

A ideologia influencia toda a qualquer ação humana, particularmente na administração pública. É a partir dos seus repertórios de convicções que os administradores e políticos decidem o que acham ser melhor para eu ou você.

E eles tem, sim, o poder de transformar nossas vidas num inferno, porque nos afetam em coisas grandes e pequenas, desde a prosperidade da nação como um todo até as coisas pequenas como o stress de ter que atravessar as ruas correndo como um louco pra não ser atropelado entre a casa e a farmácia.