4 de mai. de 2009

ONDE FICA ALBERTA?


No Canadá, diríamos. Mais: no interior do Canadá, cercada de terra pelos quatro lados... Hummmm... se não tem mar, em qual lago teria sido tirada a foto da campanha?

Lá:


Lá, do outro lado do Atlântico, mais precisamente na costa de Northumberland no Reino Unido, em Bamburgh, nas proximidades de Newcastle.

Foi o que descobriu um pescador de Alberta decidido a identificar aquela costa estranha ao visual das margens dos lagos e rios a que estava acostumado.

E foi um Deus nos acuda.

Sob uma saraivada de acusações de fraude e má-fé, o bureau se defendeu explicando que a imagem usada para estampar várias peças promocionais da campanha da nova logomarca de Alberta é tão somente parte de uma narrativa maior que exalta em vídeo as belezas e virtudes de Alberta e seus cidadãos, no contexto específico de sua "abertura" a pessoas de todas as partes do mundo.

Não sei quanto a você, mas se eu fosse cearense e o governo do Estado estampasse fotos das Ilhas Seichelles em peças promocionais pra louvar a simpatia dos cearenses e, de pecha, ainda pagasse 25 milhões de dólares por isso, no mínimo eu rodava a baiana.

Segue o vídeo, pra botar a foto no "contexto":

27 de abr. de 2009

A CULPA NÃO É DO PORCO


No exato momento que escrevo estas linhas, por todo o planeta há milhões de pessoas ingerindo antibióticos. Em muitos casos, a medicação foi devidamente prescrita e as pessoas estão seguindo à risca as indicações médicas quanto à dosagem e horários da medicação. São a minoria. Mais minoria ainda são os que, como eu, desconfiam de médicos que receitem antibióticos indiscriminadamente e vão atrás de uma segunda opinião.

Mas, voltemos aos antibióticos: a verdade - e isso se dá em escala global - é que a maioria das pessoas ou ignora as doses e horários prescritos pelo médico, ou vai além: suprime o médico da equação e toma antibióticos por conta própria.

Pra quem não segue à risca o receituário, uma palavra: se é pra ignorar doses e horários, é melhor nem começar a medicação. Tá bom, você arrisca morrer da doença, mas vai dessa pra melhor com a consciência limpa, pois não terá contribuído para a criação de organismos resistentes à medicação que mais adiante causarão a morte de dezenas, centenas, milhares ou milhões de pessoas.

Não é por nada que se precisa tomar 25 gramas de tal medicação de 6 em seis horas por uma semana, ou 10 gramas de outro de 4 em 4 por 15 dias, e por aí vai... Cada organismo tem suas especificidades (e isso vale tanto do lado do doente como do agente da doença). Como no álcool, os efeitos do antibiótico têm um ciclo em nosso organismo, atingindo o pico e decaindo depois - esse tempo varia dependendo da medicação e da dosagem aplicada. Por isso são precisas várias doses por um determinado período. Armar e resolver essa equação na forma de uma receita eficaz é atributo dos médicos - é pra isso que passam estudando e participando de seminários e cursos de atualização pela vida a fora -, não dos farmacêuticos - por mais que conheçam a química envolvida nos medicamentos.

Se você já experimentou combater cupins ou baratas em casa, aprendeu que eles não desaparecem por completo já na primeira carga de veneno. A primeira carga dá conta de uma boa parte dos insetos, mas sempre há os que sobrevivem à exposição àquela dose de veneno. Enfraquecidos, mas sobrevivem. É preciso persistir na luta e garantir que esses insetos sejam eliminados - se sobreviverem, estarão passando adiante o gene que lhes permitiu sobreviver à dose inicial. Isso você pode vir a descobrir meses depois, quando se deparar com outra infestação para a qual o veneno que combateu a primeira se mostrará ineficaz.

Antibióticos são uma forma de veneno: anti=contra + biotos=meios de vida. E como venenos, não são "inteligentes". Só quem acredita nos "poderes" do Vanish tem a ilusão de que antibióticos atacam somente os microrganismos invasores. Balela: uma dose de antibióticos e sua flora intestinal já começa a capengar. Duas, três e é bom você começar a tomar lactobacilos, porque a digestão vai pras cucuias e você começa a cultivar uma gastrite das boas. Isso sem nem entrar na questão do nosso sistema imunológico ou dos inúmeros microrganismos benignos que ajudam a nos manter saudáveis - eu precisaria escrever um compêndio que você não teria mesmo paciência de ler.

Além disso, somos diariamente bombardeados por cargas de antibióticos. Eles estão bem aí, na sua mesa, no peitinho de frango grelhado que você saboreia junto com a salada acreditando estar ingerindo uma dieta saudável. Saiba que esse inocente franguinho é um coquetel químico dos diabos, repleto de esteróides e, sim, antibióticos. Ou como pensa que os aviários conseguem manter 10 frangos por metro quadrado e fazer com que completem em 40 dias um ciclo de crescimento que leva o dobro pra uma galinha normal?

Começou a coçar atrás da orelha por causa daquele "coquetel anti-gripe" que tomou semana passada? É bom mesmo ir se preocupando.

Se se inclui na segunda categoria (das que citei bem no começo deste post; a que sequer procura o médico e vai se automedicando pela vida a fora), está brincando de roleta russa não só com a sua, mas com a saúde de todos nós. É uma completa irresponsabilidade. Imperdoável e de uma ignorância redundante.

Você está construindo uma bomba biológica, usando seu próprio corpo como tubo de ensaio.

É a mesma coisa que encher a cara, pegar o carro e sair por aí a mil. E não me interessa se seus impostos estão todos em dia, se votou nas últimas eleições e até se está envolvido em alguma meritória ação de voluntariado: você está prestando um desserviço à humanidade que deve (e pode) ser imediatamente corrigido.

Bateu uma gripe? Nada de bezetacil, nada de correr até a farmácia e tomar por conta própria um daqueles "coquetéis anti-gripe" pra não faltar ao trabalho. Procure um médico ou posto de saúde, e nesse meio-tempo, cuide de lavar sempre as mãos e usar um lenço descartável quando tossir e espirrar - e não jogue nunca este lenço no lixo seco. Aliás, o simples hábito de lavar as mãos sempre que chegar em casa já ajuda bastante na prevenção.

E tem como se prevenir. Antes que a coisa assuma proporções apocalípticas, tem como se prevenir com medidas muito simples e que em pleno 3º Milênio já deviam fazer parte de nossos hábitos cotidianos.

Algumas dicas:

Chegando ao trabalho, despois de descer do ônibus ou metrô, lave as mãos antes de cumprimentar qualquer pessoa. Igualmente, lave as mãos ao chegar do supermercado. Por quê? Você iria cair duro com a quantidade de bactérias e microrganismos que se proliferam nas barras de suporte dos transportes coletivos e nos carrinhos de supermercado.

Deu aquela coceira no olho bem no meio da rua? Aguente firme. Não coçe em hipótese alguma. Aliás, mesmo estando em casa nunca leve as mãos aos olhos e à boca sem antes tê-las lavado com bastante água e sabão.

Dor de garganta? Experimente o mel, ou o própolis (este sim, um "antibiótico" natural). Se não resolver, procure o médico.

Está com febre, dor de cabeça e no corpo? Que se dane o chefe ou aquela "reunião importante": fique em casa e preste atenção ao que seu corpo está tentando dizer. A febre não está cedendo? Procure um médico ou posto de saúde imediatamente. Não tenha medo de parecer hipocondríaco - até porque você não estará sendo um, porque hipocondríacos costumam apelar primeiro para as farmácias.

Vivemos 90% de nosso tempo em ambientes fechados, compartilhando o ar com outras pessoas. Somos solidariamente responsáveis pela saúde de todos.

Os super-vírus que andam pipocando por aí não vieram do nada: são fruto (como sempre) da maneira irresponsável com que lidamos com a biotecnologia. São consequência direta por um lado, do uso de antibióticos na criação intensiva de aves e suínos para abastecer o crescente consumo mundial; e por outro do uso abusivo de antibióticos entre humanos.

26 de abr. de 2009

PIOR A EMENDA QUE O SONETO



A tropa de choque dos politicamente-corretos ataca novamente com a sutileza e inteligência que caracteriza os defensores da seita.

Desta vez a vítima foi M. Hulot - o prosaico personagem de Jacques Tati, cuja marca registrada são o chapéu cinza, a capa de chuva bege e o charuto.

A companhia de metrô de Paris resolveu usar o personagem em uma campanha publicitária. Até aí, tudo bem, mas logo os criativos se depararam com a potencial polêmica do charuto - pecado capital em tempos de caça aos fumantes.

Como criativos que são, vieram com a "criativa" solução acima (pra quem não reparou: substituíram o charuto por um catavento amarelo... AAARGH!).

Como sábia e, porque não dizer, sarcasticamente, apontou o diário La Liberacion, se a questão é ser politicamente-correto, faltou corrigir outros "pecados": M. Hulot está dirigindo uma bicicleta motirizada de um modelo antigo e poluente, não está usando equipamentos de proteção, e transportando inapropriadamente uma "criança" na carona.

Fico com as palavras da Ministra da Saúde da França, Roselyne Bachelot: "Estamos nos tornando bastante ridículos com essa coisa."

25 de abr. de 2009

"TUIM"


Assim é descrito o estalo orgástico decorrente do primeiro contato com o crack. Em 15 segundos a dopamina invade o cérebro e todo o metabolismo do indivíduo reage se acendendo como uma árvore de natal. Com o pulso a mil e a pressão arterial no limite o indivíduo experimenta aceleração nos processos mentais e um incremento em sua força física atingíveis apenas após anos de disciplina e dedicação. Dor, fome, cansaço e, porque não dizer, empatia, afeto e qualquer vínculo emocional dão lugar ao instinto em sua forma mais primitiva. Dependendo da química de cada um, à euforia podem seguir-se a inquietação, a ansiedade, a irritabilidade, a paranóia e a agressividade.

O "barato" dura até 15 minutos, que é o tempo médio que nosso organismo leva pra reagir à overdose de dopamina, bloqueando os receptores e destruindo parte desse neurotransmissor.

É por isso que o "tuim" só acontece da primeira vez - da segunda, nosso organismo já não conta com a mesma vulnerabilidade a seus efeitos: inúmeros receptores já foram destruídos e o nivel de produção natural de dopamina se reduziu. Assim mesmo, já da primeira vez, tamanho é o impacto dessa droga no organismo humano.

E é por isso também que a partir daí a coisa vai de mal a pior, pois quanto mais o indivíduo recorre ao crack, mais receptores são destruídos e menos dopamina é produzida espontaneamente em seu metabolismo.

Sem a dopamina e seus receptores, o indivíduo se torna incapaz de derivar o menor prazer das coisas cotidianas com as quais nos satisfazemos - passear o cachorro, jogar bola com os amigos, namorar, contar uma piada, apreciar o pôr-do-sol e tantas outras coisas "pequenas" -, e que nos fazem respirar fundo e concluir que com todos os seus problemas e imperfeições, a vida vale a pena.

Vida de viciado não vale a pena sem a droga.

Se, em geral, o maior dano que viciados em heroína, cocaína, LSD representam para outros a seu redor é o dano emocional, a presença de um viciado em crack representa potencial risco à integridade física de outras pessoas, sejam elas relacionadas e ele ou não.

O risco pode tanto decorrer da "fissura" por conseguir mais droga, como da agressividade experimentada sob seu efeito.

Nenhuma outra droga faz tanta juz a seu nome como o crack, que em inglês significa rachadura, fissura.

Enquanto se disseminava pelas ruas e favelas, o crack era cinicamente encarado pela classe média como uma intervenção divina para depurar os lixões e favelas de seus "piores elementos". Ao ler nos jornais notícias de pais e mães acorrentando os filhos dentro de casa, alguns reagiam com assombro, mas a maioria levantava os olhos do jornal agradecendo aos céus pela distância social entre seus apartamentos e as favelas - em seu míope entendimento, per se uma barreira eficaz contra a disrupção do crack.

Há anos o crack chegou às famílias de classe média, e agora começamos a testemunhar seus efeitos devastadores. De uma hora pra outra, o crack deixou de ser caso de policia e foi alçado à categoria de "problema social".

O que é preciso que fique bem claro é que o problema social é, e sempre será, anterior ao crack. O dano está necessariamente feito já antes da droga se instalar. O dano é o que leva à droga: pais ausentes e culpados, compensando a ausência física e emocional da vida dos filhos com excesso de recompensas materiais e condescendência para com os desvios típicos de um indivíduo em processo de aprendizado social são o caldo de cultura ideal para a propagação da droga.

Quanto mais fraca e vulnerável a base afetiva e emocional de um indivíduo, mais avassaladores serão os efeitos do crack sobre essa pessoa e, exponencialmente, o impacto que suas ações irá causar na sociedade; que pode ir desde sujeitar a família a um martírio insuportável, até uma escalada de violência com crescentes requintes de crueldade.

Muito raramente, o crack é a primeira droga. Sua antecessora é via de regra a cocaína, um vício caro e mais afeito à zona sul do que às favelas. Normalmente a transição para o crack se dá ou para sentir um "barato" mais intenso ou na ilusão de se fazer economia com o vício.

Se entrar no crack é barbada, sair dele é um processo lento, penoso e com uma taxa ínfima de sucesso.

Na falta de uma droga específica para combater seus efeitos, a terapia comportamental tem sido a fórmula mais comumente empregada nas tentativas de recuperação. Entre as várias técnicas empregadas, destacam-se a autocontenção e a terapia cognitiva comportamental. Tais tratamentos demandam tempo, dinheiro e disposição pra encarar de frente o "cold turkey" da abstinência.

Ainda assim, mesmo depois de exorcizado, o crack continua cobrando um preço alto por conta do desequilíbrio residual que causa na assimilação da dopamina: aos (poucos) que conseguem livrar-se do vício, resta a dependência diária dos antidepressivos e a baixíssima auto-estima alimentada por uma sensação geral de fracasso, de incapacidade e vergonha.

A única "cura" para o crack é jamais sequer experimentar.

23 de abr. de 2009

MAIS UMA DA PIXAR


Mais uma vez a Pixar ousa na temática. Depois de deixar wall-street e a turma das franquias e merchandising de cabelos em pé com a idéia do rato-cozinheiro Ratatouille e do robô-lixeiro Wall-E, chega a vez de Carl Fredricksen, um velhinho meio rabugento que aos 78 anos decide se aventurar por aí amarrando a casa a centenas de balões.

Afinal, que criança nesses dias de Rebelde e Hannah Montanah vai querer andar por aí com uma mochila estampando a carranca do vovô Carl, do escoteiro gordinho ou dum cachorro que fala pela coleira?

A Pixar ri e aposta: um monte de gente.

Eu também.

ALGO PRA PENSAR ANTES DE ENTREGAR A ALMA AO DIABO


Percy Schmeiser foi prefeito da cidadezinha canadense de Bruno Sask de 1966 a 1983, e membro da Assembléia Legislativa de 1967 a 71.

Como vários outros agricultores em sua região, Schmeiser plantava canola há mais de 40 anos e estocava suas próprias sementes, desenvolvia suas próprias variedades e se sustentava plantando principalmente canola. Como vários outros agricultores de sua região, usava um certo herbicida (Roundup) desenvolvido e comercializado pela Monsanto.

E tudo ia bem, até a Monsanto desenvolver uma semente de canola completamente imune ao Roundup; a Roundup Ready. Claro, isso foi para o bem do agricultor, pois assim ele nunca mais arriscaria perder uma muda sequer pela fumigação.

Aqui faz-se necessário abrir aspas e explicar que para o bem da Monsanto, ela comercializa as sementes de uma canola geneticamente modificada para resistir ao seu próprio herbicida; mas retém os direitos sobre o DNA. Isso força os agricultores todo ano comprar novas sementes para o plantio, ao invés de simplesmente estocar da safra anterior. Agricultores que compram sementes geneticamente modificadas da Monsanto assinam um documento pelo qual além de se comprometerem a comprar sementes todo o ano, permitem que a Monsanto inspecione seus campos. Fecha aspas.

Sem nunca ter comprado uma única semente de Roundup Ready, em 1999 Schmeiser aos 68 anos de idade se viu no banco dos réus, acusado de plantio ilegal e, pior, de estocar sementes não licenciadas para o plantio. A Monsanto demandava o pagamento de exorbitantes 400 mil dólares por conta da infração de patente, taxas de tecnologia, um percentual sobre a safra (15 dólares por acre) e mais alguns milhares de dólares por danos morais.

Como?

320 hectares de sua plantação haviam sido polinizados pela canola Roundup Ready da Monsanto.

Controlar a contaminação por sementes é um negócio bem complicado, particularmente em época de colheita, porque elas são carregadas pelo vento e se alojam nas ranhuras dos pneus de veículos e tratores. Um exemplo conhecido é o capim annoni, uma espécie alienígena que chegou acidentalmente aos pampas na década de 50. Como ficava verde o ano inteiro, alguns pecuaristas apressados chegaram mesmo a importar e plantar sementes. Só depois foram descobrir que o capim annoni é indigesto para o gado por ser fibroso demais. Pior, por não ser nativo, o capim annoni não tem inimigos naturais e a despeito de todas as tentativas de erradicação, a área tomada pela praga vem se expandindo (já atinge mais de 20% das pastagens no Rio Grande do Sul), representando um prejuízo acumulado de dezenas de milhões de Reais.

Mas, voltando a Schmeister, ao contrário de inúmeros agricultores norte-americanos (alguns chegaram a pagar milhões), o canadense se recusou a entrar em acordo com a gigante multinacional.

E contra-atacou não só argumentando que o plantio de 1997 havia se dado com sementes próprias estocadas da safra de 96 como acusando a Monsanto de negligência por introduzir a canola modificada na região sem o devido controle e com isso causar contaminação nas lavouras dele.

E ainda foi além: exigiu na justiça uma indenização de 10 milhões de dólares, acusando a companhia de difamação, invasão e contaminação de sua lavoura com a Roundup Ready.

O caso foi parar na Suprema Corte, com a Monsanto insistindo em contra-argumentar que a contaminação era um fator irrelevante no caso, que o fato estava consumado e ele havia colhido a canola e lucrado com isso sem pagar à Monsanto os royalties a que tinha direito.

No melhor estilo salomônico, em 2001 a Suprema Corte canadense deu à Monsanto ganho de causa no que tange à patente enquanto ao mesmo tempo acatava a tese da contaminação.

Ao decidir contrariamente à regra pela qual sementes que chegam acidentalmente à propriedade de um agricultor passam a ser de sua propriedade, estabelecendo que tal não se aplica às sementes patenteadas; a Suprema Corte abriu um precedente que possibilitava ações de indenização por parte de agricultores prejudicados pela contaminação acidental por sementes transgênicas.

Em 2005, a Roundup Ready voltou a aparecer nos campos de Schmeister.

Em 2006 a esposa de Schmeister processou a Monsanto pela contaminação de Roundup Ready em sua horta orgânica.

Naquele mesmo ano, Schmeister viu os pés de canola Roundup Ready se multiplicarem em sua plantação de mostarda. Para "limpar" suas terras da praga, a Monsanto exigiu que assinasse um documento no qual comprometia a si e seus herdeiros a jamais processar a Monsanto em quaisquer bases.

Em 2007 o Escritório de Patentes dos Estados Unidos revogou quatro patentes retidas pela Monsanto, incluindo parte dos direitos sobre a Roundup Ready - sementes geneticamente modificadas podem envolver até 80 patentes diferentes.

Em 2008 a Monsanto concordou em custear a descontaminação da Roundup Ready na lavoura de Schmeister sem exigir em contrapartida que nem Schmeister nem seus herdeiros voltem a processar a companhia.

E há quem defenda com unhas e dentes a introdução dessas pragas por aqui.

22 de abr. de 2009

SUSAN BOYLE



Que Susan Boyle desbanca 9 entre 10 "cantoras" que nos torturam os ouvidos por aí, não há sombra de dúvida. Ela é dotada de uma voz quente, de timbre agradável - ao contrário do estilo Betty-Boop que se prolifera travestido de Britney Spears -, e mostra um razoável domínio da técnica vocal - o que não se pode dizer de Madonna, por exemplo, que só foi aprender técnica vocal quando já contava o terceiro ou quarto disco de ouro.

Antes de mais nada, é preciso esclarecer que Susan não apareceu assim do nada: sua voz é conhecida dos habitantes de sua região, onde costuma aparecer em pubs e bares, cantando onde quer que se apresente uma oportunidade. E olhe que estamos falando da Inglaterra, um país com tradição vocal; a terra dos bardos.

Mais: anos trás, embalada pela receptividade em sua região, Susan bancou uma demo que foi enviada a várias gravadoras. Não preciso dizer que foi simplesmente ignorada, pois fosse outro o caso, outra seria a história e ela não teria precisado se sujeitar aos duvidosos critérios do freak-show televisivo que a revelou.

Um "amigo" de Susan encaminhou a demo ao Telegraph, de cujo site reproduzo a montagem acima.

Posso estar errada, mas não creio que Susan Boyle sobreviva à polêmica supérflua sobre sua aparência tempo suficiente pra nos brindar com alguma pérola.

Por enquanto ela promete, mas ainda carece da personalidade e profundidade emocional que lapidam a verdadeira diva.

Em outras palavras: não precisa muito pra já passar a anos-luz das Britneys, Madonnas e Beyoncées que pervertem nossos ouvidos, mas pra chegar a Billie Holliday ainda tem algumas milhas pela frente.