27 de abr. de 2008

AINDA OUTRA

Para meditação neste domingo ensolarado:


Não cei se o presidente está melhorando as insdiferenças sociais ou promovendo o sarneamento dos pobres. Me pré-ocupa o avanço regresssivo da violência urbana
Só da violência urbana?!

OUTRA PÉROLA

Esta era pra ontem, mas atrasou:


Fidel Castro liderou a revolução industrial de 1917, que criou o comunismo na Russia.
Isso depois de Lenin ter escrito o enredo da Mangueira, que por sinal naquele ano teve Che Guevara como destaque na ala das baianas.

25 de abr. de 2008

RIR PRA NÃO CHORAR






Surfando por aí, tropeçei mais uma vez nas famigeradas pérolas do ENEM.



No começo eu ainda consegui rir, mas aí foi batendo uma tristeza, mas uma tristeza tão grande, que sequer me animo a compartilhar na íntegra as preciosidades que coletei. Assim, seguindo a lógica de Jack o Estripador, iremos por partes: de hoje em diante, a cada dia estarei postando aqui uma novinha, pra poupar aos leitores o choque que experimentei.


Segue a de hoje:



Na Grécia a democracia funcionava muito bem porque os que não estavam de acordo se envenenavam.


Me abstenho de comentar.

8 de abr. de 2008

SEM ÁGUA





DIA 1


Tardinha de domingo, maridão chega de viagem, beijinho, bladibla e ZÁS, pro banho... A água para de correr de repente. Maridão sai do banheiro enrolado na toalha e visivelmente confuso:

- There's something wrong with the shower... the water stopped all of a sudden.

Corro grunhindo pra caixa de ferramentas, volto devidamente equipada com as chaves inglesa e de fenda. Desmonto o raio do troço, giro daqui, dali e nada. Vou até o banheiro social (que recebe água direto da rua): nada.

- Faltou água. - rosno montando de volta a torneira - E já faltou há tempo, porque até a caixa d'água secou.

Vou até o jardim de inverno:

- Neuza? Beto?

A Neuza bota a cabeça pela janela:

- Faltou água, né? A gente tinha acabado de notar.

- De repente, algum moleque fechou o registro lá na rua.

- Pois é, o Beto tá descendo pra ver... E o pior é que eu lavei duas maquinadas hoje! - ela confessa enrubescendo levemente.

- Pega nada... - conforto com um sorriso meio amarelo.

Ficamos sem saber o que mais dizer uma pra outra, eu olhando pra cima como uma bocó e ela meio pendurada na janela se culpando pelas meias e cuecas recém lavadas. Nesse meio tempo, o Beto vai até a rua e sobe de novo as escadas.

- Oh, o Beto diz que o registro lá na frente tá aberto. Faltou água mesmo.

- Pois é, faltou água.

Volto pra dentro de casa pensando no que improvisar pra janta. No meio do caminho, mudo de idéia e ligro pro DMAE.

Depois de uns 5 minutos duma musiquinha pra lá de chata a moça me atende:

- Oh, sim, estivemos com um problema, mas já foi resolvido: a água deve voltar ainda esta noite!

Agradeço, suspirando aliviada. Improvisamos uns sanduíches e vamos dormir sonhando com aquele banho quentinho pela manhã.


DIA 2
Acordo de sopetão como sempre, e vou tateando no piloto automático até a cozinha. Pego a chaleira, enfio embaixo da torneira e abro.

NADA.

Nem uma mísera gotinha.
Fumego até telefone. Oito minutos de uma outra musiquinha pra lá de chata:

- Tivemos um problema: um cano havia rompido no domingo, e depois do conserto quando restabelecemos o fornecimento, outro cano rompeu mais adiante. A previsão de retorno do fornecimento para o seu bairro é ao final da tarde.

A essa altura, começo a despejar clorofina nos vasos, onde testemunhos mudos de nosso vão otimismo flutuam pacificamente. Nada de banho. Uso água da geladeira pro café.

Almoçamos no shopping, aproveitando para usar o banheiro de lá.

A tarde se arrasta seca como a manhã. A noite cai, e nem sinal de vida nos canos.

- A água já voltou? - pergunta o filho voltando do trabalho.

- Água?! Pfff! - rosno fazendo as contas pra janta que vou ter que encomendar.

Pego o telefone. Mais uns seis minutos de outra musiquinha pra lá de chata.

- O fornecimento já foi retomado. A previsão é que a água chege aos encanamentos do seu bairro ainda nesta madrugada.

Dá vontade de arrancar os pelinhos dos braços! Rosno, e dá-lhe mais clorofina. Reunidos na sala, mascamos batatas e hambúrgueres do McDonald's lá sem muito apetite - é difícil manter o apetite quando a gente se sente mais sujo que aiatolá. Botamos o Cloverfield pra rodar e esquecemos da água por umas boas duas horas. Hesito em usar o banheiro antes de dormir, mas diabos! Quando a gente tem que ir a gente tem que ir, né? Tranco a respiração e vamos lá!


DIA 3

Acordo sem saber como caí no sono. Sigo tropeçando até a cozinha, pego a chaleira e... AINDA NADA!!!! Largo a chaleira no fogão e bato os pés até o telefone.

Ocupado.

Insisto.

Ocupado.

Persisto.

Dez minutos de uma musiquinha pra lá de chata.

- O sistema está plenamente restabelecido, a senhora precisa ter paciência, porque a água precisa ganhar pressão nos canos pra chegar às zonas mais altas, mas vai voltar ainda hoje, com certeza!

Desligo o telefone com coçeira nas penas e sentindo os dedos dos pés grudados.

- P****!!! AINDA NÃO TEM ÁGUA!!! - esbraveja o filho acordando.

Derreto o gelo das bandejas pra fazer café.

Dez e meia da manhã, e nada da bendita. Ligro pra minha mãe:

- ... pois é, aqui nem faltou! Se quiser pode vir tomar banho aqui.

Onze e meia, desisto de esperar e vou filar um banho quente na casa da mamãe. Aproveito pra pegar um galão de cinco litros e encher de água da torneira pra alguma emergência.

Almoço no shopping de novo. Passo no super e renovo o estoque de clorofina. Na volta, ligo outra vez pro DMAE.

Ocupado.

Depois de oito tentativas, desisto e trato de pegar no batente. A tarde vai passando. Vez por outra abro esperançosa a torneira do banheiro de visitas. Nada.

Oito e meia da noite. Nada de água. E eu tinha planejado e comprado comida pra almoço e janta até quarta feira! Nem ouso olhar o estado das carnes e verduras quarando na geladeira. Rangendo os dentes, ligro pro DMAE.

O telefone toca duas vezes e entra a musiquinha:

...Don't say words you're gonna regret
Don't let the fire rush through your head
I've heard the accusation before
And I ain't gonna take anymore...

Desligo.

6 de abr. de 2008

MIGRAÇÃO E CRIMINALIDADE




Alguém já reparou que a grande maioria dos criminosos na ativa aqui no Sul é composta de filhos de migrantes, usualmente ex-pequenos proprietários rurais que migraram para os grandes centros urbanos em busca de melhores oportunidades?

Há por aí um certo consenso ligando a ausência de autoridade com o desvio social.

Volto os olhos para essa legião de migrantes que não deixou para trás apenas uma história de vida, mas a própria noção de valor e individualidade; indo se entreveirar na selva de concreto, um mundo hostil e no qual seus saberes não têm valor algum.

Que autoridade pode reter um pai, uma mãe, numa situação dessas? O processo de adaptação que, para os mais jovens pode ser questão de meses, requer anos, décadas de um adulto.

A própria sociedade desautoriza os migrantes perante seus filhos, pois nada do que trazem em sua bagagem tem valor ou sentido na urbe. Seus saberes são desautorizados, sua cultura não tem valor, seus costumes são "caipiras".

Talvez aí esteja uma pontinha solta nesse novelo de insegurança que nos enrola a todos. Talvez se olharmos mais de perto e com mais atenção, possamos encontrar e desatar esse nó antes que as luzes se apaguem para a civilidade em nosso meio.

COISAS QUE ESPANTAM VIII

A persistência dos saltos agulha com bicos de matar barata em fresta de assoalho.

5 de abr. de 2008

BAH, PRA TODOS ELES!


Quer saber mais o quê? Pras cucuias com os tais "segredos de Estado". Antes de mais nada, esse tal "Estado" é uma entidade abstrata, que teoricamente representa a nós, o dito "povo". O que, até onde vai meu parco entendimento significa que, em resumo, o "Estado" somos nós.
Já viu alguém guardar segredo de si mesmo? Só se for um pobre diabo sofrendo de um caso agudo de esquizofrenia... O que me faz pensar que talvez seja esse mesmo o caso: estamos sofrendo de uma esquizofrenia maçiça, galopante, e porque não dizer - até porque é afeito às esquizofrenias - perigosa.
"Segurança nacional", eles dizem sempre... mas que balela, que conversa pra boi dormir dos diabos que me irrita até a medula! A nação somos nós, a segurança é nossa.
Por razões que só a opacidade das intenções dos barnabés arvorados a chefes de estado explica, quando se trata de informação, a democracia é uma via de mão única.
Aliás, "democracia" é mera retórica, não existe nem aqui nem lá fora, como nunca existiu o comunismo ou mesmo o socialismo.
Acho que a gente devia começar a botar os pingos nos is, abrir os olhos pra realidade e meter a boca no trombone, porque enquanto a gente tá ocupada em viver e fazer felizes a todos que amamos, tem uma corja se locupletando e nos engambelando por trás das urnas. E cada vez que a corja se manifesta, perdemos uma pequena batalha em nossa luta pela felicidade.
Portanto, chega de sonegar informações: se o Estado somos nós, temos o direito de saber.
Duela a quién duela.